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domingo, 6 de junho de 2010

Linguagem musical num prisma semiótico (Curso de Letras)

LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA

Taboão da Serra
2º Semestre/2007

LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA


Trabalho de Conclusão apresentado como exigência final do Curso de Letras, Licenciatura Plena em Línguas Portuguesa, Inglesa, e suas Literaturas, sob a orientação do Prof.º Dr. Ricardo Baptista Madeira.

Taboão da Serra
2º Semestre/2007


Dedico este trabalho à minha família e à minha noiva Fabiana Alves, por acreditarem no meu potencial, por investirem em meu sucesso, e pelo incentivo na realização deste sonho.

Agradeço aos professores por “abrir meus horizontes”, aos meus amigos Andréa Tomaz e Juerlei Ráfel por todo apoio durante essa jornada, e ao mestre Ricardo Madeira, pela atenção e orientação dada para execução desse trabalho.

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho origina.l"
Albert Einstein
LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA




BANCA EXAMINADORA:

_______________________________________
Orientador: Professor Ricardo Baptista Madeira

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Professor(a):

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Professor(a):






RESUMO



O presente trabalho tem por finalidade trazer à comunidade acadêmica a aplicação de signos lingüísticos na linguagem musical, como a música pode ser entendida pela ciência semiótica passando por uma breve definição de Linguagem apresentando alguns de seus aspectos, teorias sobre signo lingüístico citando autores renomados da Lingüística e Semiótica e uma explanação sobre a linguagem musical, retratando sua origem, suas teorias, e até sua aplicação.




















Palavras-chave: Linguagem, Signos Lingüísticos, Linguagem Musical.

ABSTRACT



The purpose of this paper is to acknowledge the academic community the use of linguistic signs in the musical language, how the music can be understood by semiotics science through a brief definition of Language presenting some of its aspects, theories about linguistic signs mentioning recognized Linguistics and Semiotics authors and a explanation about Musical Language, its theory




















Keys-word: Language, Signs Linguistics, Music Language.

Sumário


Introdução.....................................................................................10

Capítulo 1 - Conceitos fundamentais de Linguagem......................12

Capítulo 2 - Definições de Signo

2.1 Signo segundo Ferdinand Saussure...................................19
2.2 Signo segundo Charles Sanders Peirce...............................23
2.2.1 A Primeira Tricotomia................................................23
2.2.2 A Segunda Tricotomia................................................25
2.2.3 A Terceira Tricotomia.................................................26
2.3 Signo segundo Mikhail Bakhtin.........................................28
2.4 Signo segundo Pierre Guiraud..........................................30

Capítulo 3 - Breve histórico da Linguagem Musical........................32

Capítulo 4 - Características da Linguagem clássica musical...........36

Capítulo 5 - O "signo" bakhtiniano na Linguagem Musical
Moderna.........................................................................................42

Capítulo 6 - O "signo" de Guiraud aplicado à Linguagem
Musical...........................................................................................46

Considerações................................................................................49

Referências....................................................................................52

Introdução


Entende-se por Linguagem, sob um estudo semiótico humano, modalidade que controla o comportamento dos indivíduos, detentora e transmissora de conceitos e valores a sociedade, formadora de opinião por excelência. A linguagem une as pessoas e está presente desde a formação psíquica dos homens até a sua integração social. Linguagem está ligada à ideologia, a preceitos de um grupo social, pois é por meio dela que se forma a consciência humana.

Dentro das diversas características da Linguagem, este trabalho fixa em demonstrar a linguagem musical, linguagem não-verbal, mas na forma escrita. A música tem sido um canal de comunicação desde a antiguidade, os povos pré-históricos já a utilizavam para execução de cultos religiosos, na era clássica, a música foi utilizada para levar o prazer aos mais refinados da época, e no começo da era modernista, a música foi usada para carregar ideologia a grande massa popular.

A linguagem musical é apresentada desde sua origem, suas formas de utilização através dos tempos e suas teorias. Mas também, é observada sob um ponto de vista semiótico, dentro dos conceitos de signo lingüístico.

Para Saussure, signo é o resultado da combinação de imagem acústica e conceito, além de sua arbitrariedade. Peirce caracteriza o signo como seus aspectos qualitativos, quanto a sua particularidade, suas regras de utilização, e algumas de suas subdivisões. Para Bakhtin, signo é dotado de contextos ideológicos. E para Guiraud, signo é um estímulo que cria uma imagem psíquica no indivíduo concluindo numa comunicação entre o significado real deste signo com este indivíduo.

Numa combinação de semiótica e linguagem musical, este trabalho apresenta uma nova visão da realidade, uma forma interessantíssima de enxergar o mundo que nos rodeia, em especial a música.

























Capítulo 1 - Conceitos fundamentais de Linguagem


Alguns filósofos definem a linguagem como espelho da realidade tanto no nível aparente tanto no nível essência. Isso quer dizer que ela reflete as práticas sociais. Entretanto, pode-se definir a linguagem como criadora de uma visão de mundo. Com a evolução das atividades humanas, desenvolvimento dos sistemas lingüísticos ganhando autonomias em certas formações ideológicas é fato que a visão de mundo depende de fatores sociais e esta intrinsecamente ligada à linguagem.

Ricardo Baptista Madeira afirma: “A linguagem não nos permite uma visão cultural e histórica da realidade, ao contrário do que realmente se diz. A linguagem, de fato, nos cria uma como que realidade, uma personalidade, uma história e uma cultura, sendo ela, a linguagem, a inteligência por excelência a se expressar e a se espraiar por todas as dimensões espaço-temporais e psíquicas, como que recriando, a partir de um dado real pré-existente, pré-linguísticos o cosmos das nossas percepções e dos nossos conhecimentos, o mais das vezes, realidade ou verdade, em diferentes níveis de significação.”

A Linguagem rege o comportamento humano. Está presente nos sistemas de valores da sociedade, e esta por sua vez controla seus indivíduos transmitindo conceitos em relação a estereótipos sociais constituindo assim uma consciência condensada pala prática social.



É por meio da Linguagem que os homens vivem em sociedade. Lev Semionovitch Vygotsky e Mikhail Mikhailovich Bakhtin acreditavam na grande utilização da linguagem na formação do caráter e da consciência da criança, ou seja, a Linguagem é fundamental para o desenvolvimento humano e a que mais contribui para que ele viva em sociedade no processo de interação social.

Karl Heinrich Marx deixou registrado que os homens se diferem dos animais, pois possuem modos de criar a sua própria vida material, modos de pensar e agir e nomeou esta teoria como linguagem Real, como no texto:

“Pode-se referir à consciência, à religião e tudo o que quiser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa a existir quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida (...) Ao produzirem os seus meios de existência, os homens produzem indiretamente a sua própria vida material.”

E ainda,

“Nesse sentido, são os modos de produção que permitem distinguir os homens dos animais.
A produção de idéias, de representações e da consciência está em primeiro lugar direta e intimamente ligada à atividade material e ao comércio dos homens; é a linguagem real.”


Bakhtin, fazendo uma alusão à teoria de consciência de Marx, pressupõe que consciência só se torna consciência quando está cheia de conteúdo ideológico, isso só ocorre na interação social. E juntamente a Vygotsky concretiza a grande relevância dos signos lingüísticos, precisamente da linguagem na constituição da consciência. Ressalta o autor: “A consciência adquiri forma e existências nos signos criados por um grupo social organizado no curso de suas relações sociais. Os signos são o alimento da consciência individual, a matéria de seu desenvolvimento, e ela reflete sua lógica e suas leis. A lógica da consciência é a lógica da comunicação ideológica, da interação semiótica de um grupo social. Se privarmos a consciência de sue conteúdo semiótico e ideológico, não sobra nada. A imagem, a palavra, o gesto significante, etc. constituem seu único abrigo. Fora desse material, há apenas o simples ato filosófico, não esclarecido pela consciência, desprovido de sentido que os signos lhe conferem.” E continua: “A consciência individual não é o arquiteto dessa superestrutura ideológica, mas apenas um inquilino do edifício social dos signos ideológicos.”

A luz do exposto usarei como referência a obra de Ricardo Baptista Madeira, por meio de citações diretas e indiretas, para explicitar alguns conceitos de linguagem.

Apesar de Marx deixar claro em sua teoria de linguagem que os animais são diferentes dos homens por não possuírem modos de pensar e agir, criar sua própria vida material; não podemos, entretanto, achar que a linguagem é uma capacidade própria e exclusiva do homem, como explica Madeira: “Há um novo campo de pesquisas aberto justamente em função da necessidade de se conhecer melhor as n formas diferentes de linguagem dos animais, dos insetos, enfim, dos seres vivos que não o homem, (...) chama-se Zoossemiótica (...)”.

Contudo, nos atenhamos à Linguagem como estudo semiótico humano. É necessário dividir a linguagem em dois outros termos: como a língua e a fala.

Também pode-se ressaltar também a língua escrita, afirma Ferdinand de Saussure: “Língua e escrita são dois sistemas de signos; a única razão do ser do segundo é representar o primeiro; o objeto lingüístico não se define pela combinação da palavra escrita e da palavra falada; esta última, por si só, constitui tal objeto. Mas a palavra escrita se mistura tão intimamente com a palavra falada, da qual é a imagem (...)”.

A fala, segundo Madeira, é a própria ação da língua: “(...) o seu resultado é o discurso, enquanto realidade abstrato/concreta, psicofísica, que tem lugar, durante o processo gerativo da enunciação, na mente do sujeito falante, o enunciador, para manifestar-se ao enunciatário (o outro intérprete do discurso)”.

Voltando aos aspectos da linguagem, Madeira ressalta que existem linguagens formais e as não-formais, e explica:



Como exemplos de linguagens formais podemos citar as diferentes linguagens musicais (graficamente falando), as lógicas já conhecidas (...) etc. Linguagens não-formais são todas aquelas que não se expressam através do simbolismo axiomatizado das linguagens formais: exemplos desse tipo de linguagem são a linguagem pictórica, as linguagens teatral, cinematográfica etc. (grifo do autor deste TCC).

Ainda afirma que existem as linguagens as verbais e as não-verbais ou sincréticas, e explica:

Linguagens que fazem o uso da palavra (uma unidade lingüística do discurso humano portadora de significado e função sintática inclusive), são tradicionalmente denominadas de linguagens verbais. Essas, por sua vez, podem ser orais e escritas. Linguagens não-verbais são as em que não se articula ou não se manifesta em suas significações por meio da palavra oral e escrita; neste contexto incluem-se as linguagens da vestimenta, a gestual, a arquitetônica, as artes plásticas em geral etc. (...).

E a profunda, explicando os níveis explícitos e implícitos da informação: “Tudo o que é dito textualmente, o que está posto de maneira tal que pode ser percebido ou apercebido igualmente pelos interpretes da informação, isto é, o que é dito (verbal ou não-verbalmente), denomina-se explícito. Por outro lado, o que é apenas sugerido, ou que se encontra “nas entrelinhas”, por assim dizer, pressuposto ou subentendido no processo comunicacional, isto é o não dito, é denominado implícito, quer seja verbal ou não-verbal.”

E por último as linguagens de nacionalidade e as de não-nacionalidades:

Linguagens de nacionalidade são as que representam tradições culturais e hábitos lingüísticos de algum povo ou nação, tal como o francês, o português, o dinamarquês, (...) etc. Linguagens de não-nacionalidades são as não sentidas por um povo ou nação especificamente como sua própria, tal como a matemática (que também é uma linguagem formal e verbal, pois possui uma simbologia de ordem axiomática e pode ser reproduzida por meio da fala, oral ou escrita) (...)

Numa conclusão final a respeito da linguagem, Madeira exemplifica a realidade produzida pela própria mente ao vermos um determinado objeto: “Se perguntássemos a alguém acerca de um pedaço de giz com o qual se costuma escrever à lousa, por exemplo: “ O que você enxerga ao vê-lo? ”Esse alguém nos diria talvez: “-Um pedaço de giz branco”. Ora, poderíamos perguntar-lhe: Você vê os átomos ou as moléculas a descreverem movimentos em velocidades vertiginosas? Você vê os enormes espaços vazios entre eles, muito mais extensos do que as áreas ocupadas pelas suas partículas formadoras?” A resposta seria, muito provavelmente: “Não, claro que não!” E se poderia acrescentar: “ No entanto, isso que lhe aparece como um giz, que costuma chamar de carbono de cálcio, é um aglomerado de moléculas e de espaços vazios aparentemente, e você não percebe nada disso”!“Você se apercebe de uma realidade que é produzida para você não pelo giz, é evidente, mas pela sua própria mente, a qual reconstrói o real o tempo todo, a partir de um dado primeiro, pré-existente a ela”. A isso denominamos de função ontogenética da linguagem, uma vez que é por meio da linguagem que se dá esse processo reconstrutivo, ontogenético.”

E também apresenta a linguagem em sua função secundária enquanto elemento estruturador da psique humana: “A linguagem aparece-nos como o processo gerador e estruturador da mente e da personalidade humana”.











Capítulo II - Definições de Signo

2.1 Signo segundo Ferdinand Saussure

Saussure define signo como bifacial e fruto da combinação do conceito e a imagem acústica como no trecho de sua obra:

O signo lingüístico une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica. Esta não é o som material, mas a impressão (empreinte) psíquica desse som, a representação que dele nos dá o testemunho de nossos sentidos; tal imagem é sensorial e, se chegamos a chamá-la de “material”, é somente nesse sentido, e por oposição ao outro termo da associação, o conceito, geralmente mais abstrato. (...).

O signo lingüístico é, pois, uma entidade psíquica de duas faces, que pode ser representada pela figura:

conceito
____________________
imagem acústica

Esses dois elementos estão intimamente unidos e um reclama o outro. Quer busquemos o sentido da palavra latina arbor, ou a palavra com que o latim designa conceito “àrvore”, está claro que somente as vinculações consagradas pela língua nos parecem
conformes à realidade, e abandonamos toda e qualquer outra que se possa imaginar.

O autor explica que podemos falar conosco ou recitar mentalmente um poema sem ao menos citar uma palavra ou movimentar os lábios. Isso é porque associamos as palavras de nossa língua a uma imagem acústica. Caracteriza como uma idéia de ação vocal à realização da imagem interior no discurso. Como na imagem ilustrada por Saussure acerca da relação do sentido da palavra latina arbor e a palavra conhecida por nós “arvore”:


conceito “árvore”
_________________ __________________
imagem acústica arbor

______________________

arbor


Podemos conceituar que o signo lingüístico é uma unidade composta de uma imagem mental do som (o significante) e uma imagem mental do pensamento (o significado).

Ainda definamos: conceito é sinônimo de significado (plano das idéias), algo como o lado espiritual da palavra, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante (plano da expressão) que é sua parte sensível.

E também, podemos citar que: o significante é a apresentação física do signo, de forma sonora e/ou imagética. E, o significado é o conceito que permite a formação da imagem na mente de um indivíduo quando ele entra em contato com o significante. 10

Saussure ainda conceitua outra característica do signo, como a sua arbitrariedade: “O laço que une o significante ao significado é arbitrário ou então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo lingüístico é arbitrário.”

E exemplifica: “Assim uma idéia de “mar” não está ligada por relação alguma interior à seqüência de sons m-a-r que lhe serve de significante; poderia ser representada igualmente bem por outra seqüência, não importa qual; como prova, temos as diferenças entre as línguas e a própria existência de línguas deferentes: o significado da palavra francesa boeuf (“boi”) tem por significante b-o-f de um lado da fronteira franco-germância, e o-k-s (Ochus) do outro.”

Adilson Citelli explica sobre a arbitrariedade do signo: “Signo: (...) é (...) arbitrário (não há relação de obrigatoriedade entre o significado e o significante – afinal por que “mesa” tem nome de “mesa”?)”.







































2.2 Signo segundo Charles Sanders Peirce

Segundo Peirce signo é dividido em três partes diferentes para fins de análise: primeira trata do signo em si mesmo, a segunda trata as suas relações com o seu objetivo, e a terceira apresenta as relações entre o signo e seu próprio interpretante.

2.2.1 A Primeira Tricotomia

A primeira parte desta tricotomia é aquele em que o signo funciona como referência ao meio e está subdividida em três outras partes denominadas como Qualisigno, Sinsigno ou Legissigno.

Um Qualisigno trata dos aspectos qualitativos do signo. É cada material ou fenômeno de um signo que lhe apresenta um caráter. Mesmo quando mudamos as características de um signo, seu Qualisigno nunca será o mesmo, será semelhante ao primeiro, mas não ele mesmo. Podemos citar os diferentes significados gestuais, cores, ou até mesmo os aspectos sensoriais que podem ser percebidos pelo olfato, tátil, gustativa, auditiva e auditiva. Exemplificamos ao ver os diferentes estados de uma fruta que podemos sentir se está pronta pra consumo ou se está imprópria.

O Sinsigno (a sílaba sin traduz seu significado de singularidade e simples) correlaciona-se com a permanência do signo no tempo e espaço. O signo tem sua particularidade, sua autonomia porque possui suas regras de organização e potencial de significação. Como afirma Walther-Bense:


O signo depende de determinados quali-signos implicados tanto no espaço quanto no tempo. Por exemplo, determinada palavra numa linha determinada de uma determinada página de um determinado livro é um sin-signo, ainda que existem 10.000 exemplares desse livro no qual ela apareça.


O Legissigno (pode ser entendido como lei) trata da regência e normas estabelecidas pelos homens para a utilização do signo. Como explicado por Peirce e exemplificado por Walther-Bense:


Um Legissigno é uma lei que é um Signo. Normalmente, esta estabelecida pelos homens. Todo signo convencional é um legissigno (porém a recíproca não é verdadeira). Não é um objeto singular, porém um tipo geral que, tem-se concordado, será significante. Todo legissigno significa através de um caso de sua aplicação, que pode ser denominada Réplica. Assim a palavra “o” normalmente aparecerá de quinze a vinte cinco vezes numa página. Em todas essas ocorrências é uma e a mesma palavra, o mesmo legissigno. Cada uma de suas ocorrências singulares é uma Réplica. A Réplica é um Sinsigno. Assim, todo Legissigno requer Sinsignos. Mas estes não Sinsignos comuns, como são ocorrências peculiares que são encaradas como significantes. Tampouco a Réplica seria significante se não fosse para lei que a transforma em significante.


E para maior entendimento, posso ainda citar novamente Elisabeth Walter-bense:

São signos usados segundo as normas, por exemplo, as letras do alfabeto de uma língua, as palavras de uma língua, os signos matemáticos, químicos, lógicos nas ciências, os sinais de trânsito, os signos metereológicos, os da rosa dos ventos, os algarismos do relógio, os graus dos termômetros.


2.2.2 A Segunda Tricotomia

A segunda tricotomia, o signo é sub-dividido em ícone, índice ou símbolo.

O ícone refere-se ao objeto denotando apenas em virtude de suas características próprias, características que ele realmente possui quer o objeto exista ou não. Ícone significa, no grego, imagem (desenho).

O índice é um signo que serve como referência a um determinado objeto. Como por exemplo, uma seta indicadora de uma curva na estrada ou caminho a ser seguido.

O símbolo para Peirce: “é um signo que se refere ao objeto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de idéias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo àquele objeto”.

De acordo com o repertório cultural de uma pessoa, pode-se fazer correlações das mais diversas que será constituída a associação do signo ao objeto. Como por exemplo: uma publicidade de cigarro que contenha ao lado a foto de uma pessoa doente. O fumante poderá entender que o cigarro causa doença nas pessoas que o consomem.

2.2.3 A Terceira Tricotomia

A terceira tricotomia do signo diz respeito ao intérprete. Signo tem total relação com objeto, assim como objeto está interpretante para um intérprete. Peirce descore muito bem isso em sua última tricotomia. Signo pode ter denominado como Rema, Dicissigno ou Dicente (isto é, uma proposição ou quase proposição) ou Argumento. E define:

Podemos dizer que um Rema é um Signo que é entendido como representando seu objeto apenas em seus caracteres; que um Dicissigno é um signo que é entendido como representando seu objeto com respeito a existência real; e que um Argumento é um Signo que é entendido como representando seu Objeto em seu caráter de Signo.

Um Rema (signo singular), define Peirce: “(...) é entendido como representando esta e aquela espécie de Objeto possível. Todo Rema propiciará, talvez uma informação, mas não é interpretado nesse sentido.” Podemos clarear esta teoria como na frase: “As estrelas são brilhantes”, no predicado – são brilhantes – podemos encontrar o rema, pois trata-se de uma interpretação que o intérprete faz de uma qualidade singular do signo, ainda que nem toda estrela seja brilhante, mas todas são conhecidas como tal.

Um Signo Dicente, Peirce afirma: “é um Signo que, para seu interpretante, é um Signo de existência real”. Podemos defini-lo como a representação crítica do interprete ao interpretar um signo. Uma análise de um quadro, por exemplo.

Um Argumento, ainda segundo Peirce: “Argumento é um signo que, para seu interpretante é signo de lei”. Um argumento é um juízo verdadeiro que o interpretante faz do signo. Para exemplificar temos as “máximas populares” que formam juízos de valor.








2.3 Signo segundo Mikhail Bakhtin

Para Bakhtin signo é um objeto físico cheio de significações ideológicas. O signo precisa estar contextualizado para ganhar tais significações. Sendo assim, o signo é uma parte material da realidade, como afirma o autor:

Cada signo ideológico é não apenas um reflexo, uma sombra da realidade, mas também um fragmento material dessa realidade. Todo fenômeno que funciona como signo ideológico tem uma encarnação material, seja como som, como massa física, como cor, como movimento do corpo ou como outra coisa qualquer.

Tudo que é ideológico é um signo, pois possui um significado. Um exemplo de Adilson Citelli é o significado simples de um objeto como o martelo: auxiliar na afixação de pregos, ou em atividades congêneres. Assim é a foice um instrumento muito utilizado para a ceifa e outros serviços do campo. Entretanto os mesmo instrumentos podem ser vistos de maneira contextualizada produzindo idéias fora deles mesmos, refletindo ou refratando a realidade, assim os chamaremos de signos. Citelli explica que assim como a foice o martelo tem um significado muito grande no desenho da bandeira da URSS, transmitindo a idéia de aliança de trabalhadores urbanos com os do campo dentro do Estado Soviético, permitindo assim lermos o discurso da bandeira que pronunciava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Assim poderíamos analisar que o objeto foice e o objeto martelo deixar de significar apenas como instrumentos de trabalho como pré-determinamos e passam a ganhar uma nova dimensão de significado e agora possuem valores, preceitos, idéias, algo relacionado aos princípios de ideologia.

A este exemplo, conforme a teoria de signo de Bakhtin, pode-se definir que o signo surgi de um certo contexto e se desenvolve dentro da sociedade, agregado a culturas e histórias. E o signo deve ser pensado socialmente e contextualmente criando uma inerente relação entre o universo significativo dos signos e a formação da consciência dos sujeitos.












2.4 Signo segundo Pierre Guiraud

Para Pierre Guiraud signo é uma substância sensível, um estímulo cuja imagem mental está associada na nossa consciência à de um outro estímulo que o signo tem que chamar a si com vista a uma comunicação.

Existe uma ação sobre o indivíduo que promove uma imagem memorial de um outro estímulo. Adilson Citelli exemplifica: “A palavra mesa (o conjunto sonoro, o significante) nos remete a uma dada imagem mental (o objeto mesa, o significado) que, por seu turno, se completa numa significação (nascido da relação entre o significante e o significado). (...). Enquanto aquela é produto de relação entre o significante e o significado (a seqüência gráfica, ou sonora, mesa remete ao sentido mesa), este surge da contigüidade entre o signo e o referente (a palavra, signo propriamente dito, mesa remete às mesas reais)”.

Guiraud afirma em sua obra que o signo é formado por significado e significante:

Há, portanto uma associação psíquica bipolar que compreende dois termos: a forma significante e conceito significado; e duas fases: a evocação do nome pela coisa e da coisa pelo nome; o processo é recíproco.

O autor também exemplifica dizendo que quando olhamos para a nuvem logo lembramos da imagem da chuva, sendo assim, conclui-se que a palavra evoca a imagem da coisa.

Os signos podem ser naturais ou não-naturais. Os naturais possuem uma relação direta com a natureza e seus fenômenos. Os signos não-naturais são as coisas criadas pelo homem ou por outros seres que não sejam a própria natureza, podemos chamar este tipo de signo de artificial.

E por fim, o autor dividi o signo em quatro categorias essenciais: os signos naturais estudados pela ciência; os signos de representação ou imagem; os signos de comunicação ou símbolos; e os signos de comunicação icônico-simbólicos (moda, misticismo etc.).

















Capítulo 3 - Breve histórico da Linguagem Musical

Para a elucidação deste breve histórico usarei o estudo sobre a música de Nilza Zimmermann.

No princípio, quando o Planeta Terra ainda se formava, quando os únicos seres vivos que habitavam este mundo eram as bactérias, Deus criava as cachoeiras, as ondas, a ventania, dos campos gramíneos as avalanches das grandes montanhas cobertas de neve. Neste tempo, mesmo com as chegadas dos pequenos bichos, só havia som, pois a música seria um dom exclusivo humano.

A chegada do homem pré-histórico, as artes de pintar, esculpir, desenhar e fazer barulho com intuito da emissão de algum som, já afloravam com o objetivo, segundo alguns historiadores, em devoção aos deuses. A música acredita-se que surgiu por meio do canto e da dança.

Claro que este homem expressava sua música e suas outras artes com gritos, movimentos desordenados e outras formas que se aprimoravam com o tempo. Incentivados pelos seus cultos religiosos com a necessidade de se utilizar dessas linguagens para a comunicação com Deus ou com seus mortos. A música era considerada sagrada.

Encontram-se vestígios da arte musical a partir dos escritos gravados em pedras lascadas, paredes de cavernas e até achados de instrumentos pré-históricos, como um harpista gravado em baixo-relevo a 2000 anos a.C.

Entretanto pode-se citar as grandes civilizações antigas que utilizavam a arte musical e aprimoraram esta linguagem.

Os antigos egípcios destacavam a música como importantíssima para seu Estado, tinham seus músicos que ocupavam lugar de grande consideração pelo Faraó, inclusive as mulheres. Possuíam suas sete notas musicais semelhantes as que conhecemos hoje. Tocavam instrumentos de corda, sopro e percussão, como harpa, a flauta e os címbalos.

Os povos orientais árabes cultivavam a e propagaram a arte musical. Assim como nos egípcios Faraós, a musica tinha grande papel de destaque com os califas, pois cantam seu livro sagrado o Corão até hoje. Possuíam seus ritmos referenciados dos passos do camelo e dos cavalos além de 17 notas musicais cantados e tocados primeiramente por beduínos embalados pelos passos dos camelos. Seus escravos e mulheres eram os executores da música e tocam desde a harpa ao adufe (percussão).

Para os indianos, a música ia além dos cultos religiosos, acreditavam que era parte integrante na formação do universo. Estavam bem desenvolvidos na arte musical em relação aos outros povos antigos, os indianos já possuíam intervalos musicais e a escala de som parecida com a que temos hoje. Cultuavam a deusa ASVARAGRAMA e a atribuíram as 7 notas musicais reverenciando as 7 ninfas que acompanhavam a deusa: AS, RI, GA, MA, PA, DA e MI. Tocavam do ravanastron (instrumento de arco) aos címbalos.

Dos chineses proveio a escala musical Pentatônica: Ré, Mi, Sol, Lá e Si. Seus compositores eram os grandes imperadores e tinham até interesses de manipulação do povo através desta linguagem. Tocavam o king (instrumento de percussão) e o Tcheng (órgão).

Para estudar as musicas dos hebreus é preciso analisar os Salmos da Bíblia. Tocavam shofar, saltério, harpa, keren e pratos.

O povo romano pouco desenvolveu para as artes musicais, teve seu foco voltado para o preparo dos homens a guerra as grandes conquistas. Encontrou-se com a música quando teve contato com o povo grego, os quais lhe ensinaram a tocar e a cantar.

Quem mais contribuiu para a evolução da música até chegarmos a que conhecemos hoje foi o povo grego. Para este povo as artes eram ministradas a jovens, dedicavam a elas com amor e cultivo. Criaram a palavra música ao dedicar a arte às Musas: “Arte das Musas”. Suas músicas eram monódicas (uma voz) e eram escritas com as letras do alfabeto. Inventaram os modos nomeados conforme as regiões gregas, destacadas na obra de Nilza Zimmermana, são eles:


Modo Dórico (MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-RÉ-MI) – Platão considerava o modo dórico solene e grandioso, por despertar a virtude e a coragem.
Modo Frígio (RÉ-MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-DÓ-RÉ) – Este modo, materialista e sensual, favorecia a impetuosidade e a orgia.
Modo Lídio (DÓ-RÉ-MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-DÓ) – Afável, doce e sensual, o modo lídio era usado nos cantos juvenis. Favorecia a educação, despertando o gosto pelo belo e pelo puro.


Os gregos fundiam a música à poesia dando a pausas e duração de tempos conforme as sílabas e desenvolveram os dois valores: Longa (-) e Breve (U). Que formavam compassos a uma composição musical. Tocavam a lira, a cítara, flauta de pã e aulo e o hélis.

Contudo, apenas na Idade Média que se define que os instrumentos musicais serviam para apenas acompanhar o canto, e também surgiu a música instrumental. E até nesta época a música era dominada por religiosos assim como outras artes.













Capítulo 4 - Características da Linguagem clássica musical

Foi na idade Média que por meio do Cristianismo desenvolveram-se dois tipos de escrita musical: a Notação Alfabética e a Notação Neumática.

Na idade média apenas aprimoraram a notação alfabética transportando-a para a letras latinas, pois já era usada por outras civilizações em outras épocas. Temos:





Na primeira linha do esquema tem-se a notação musical proveniente dos anglo-saxônicos que é usada até hoje em Cifras para acompanhamento com violão popular ou teclado, e na segunda linha têm-se os nomes das sete notas musicais latinas.

A Notação Neumática é aquela que é representada por sinais especiais. Define como movimentos de som. Mais tarde foi melhorado e criado a pauta musical com a precisão e a altura dos sons.

Antigamente, nos manuscritos já existia a pauta de duas linhas, o monge Guido D’Arezzo (990) acrescentou mais duas e foi no século XVI que se criou a pauta de 5 linhas (Pentagrama). E é através deste monge, pai da escrita musical, juntamente com o músico italiano Doni que temos a escala diatônica: Do – Ré – Mi - Fá - Sol - Lá – Si. Criada no sentido de padronizar a estruturação física da música e evitar a desafinação dos instrumentos.

O pentagrama, nada mais é que um conjunto paralelo de cinco linhas, lugar onde serão escritas as notas musicais e serão lidas pelo intérprete da esquerda para direita. E com essa leitura desencadeará uma seqüência de notas grafadas linearmente surgindo, assim, a melodia.

A combinação de sons, de timbres, e de notas dentro de uma pauta musical resulta na harmonia.

A música nesta época deixa de ser monódica e passa a ser polifônica (várias vozes). Começou-se a dividir as vozes em diversas notas dentro de um acorde (três ou mais notas tocadas simultaneamente).

O termo música clássica vem do período em que os artistas musicais buscavam uma forma nova de compor suas obras, uma maneira mais rebuscada que buscava a perfeita simetria das formas musicais. Era uma época que marcou o novo jeito de se fazer música, algo fora da religiosidade e totalmente abstrato. Buscavam o prazer que a música proporciona.

Marcado pela independência musical, é neste tempo que aparecem as sonatas, as sinfonias e os concertos, os quais eram divididos pelos ritmos allegro, adágio, dança e finale. As sonatas eram feitas para solos de instrumentos musicais podendo ser executadas por mais de um instrumento. A sinfonia era composta com o intuito de se ouvir mais a harmonia da orquestra e não só a melodia de um instrumento. E o concerto era composto pela melodia de um instrumento acompanhado pela harmonia da orquestra. E mais tarde surgiram outras formas instrumentais.

As teorias musicais subdividiam a música em diversos aspectos que pode-se conceituar:

A altura dos sons, ou freqüência: terminologia usada para distinguir os sons agudos dos sons graves. Isso é, pode ser demonstrado ao tocar a última nota da direita do piano (agudo) ou tocar a primeira nota do piano à esquerda (grave). Isso é visto no pentagrama:





Vê-se as notações gráficas quando no sentido as linhas superiores pode-se fazer uma analogia às teclas do piano em direção à última tecla da direita, temos o agudo. Em contrapartida, as notações gráficas quando no sentido as linhas inferiores temos o som cada vez mais grave.

Quanto à clave, existem três tipos deste sinal, o que indica a posição da nota e o grau de sua elevação: a clave de Sol e a clave de Fá, como a figura acima, e a clave de Dó. Cada instrumento possui uma propriedade de timbre que o determinará a tocar sempre sob um tipo de clave, ex: o saxofone – toca-se sob a clave de Sol. Para tocar em outra clave, terá que fazer uma transposição . A figura abaixo mostra as diferentes claves e os timbres correlacionados a elas:




O compasso é um quadrante ou parte de um pentagrama que separa, por meio de travessões, um trecho musical. Pode-se encontrar numa obra musical os compassos binários, ternários ou quaternários. Na figura abaixo temos o compasso quaternário, ou seja, quatro por quatro.



Cada nota tem seu valor dentro de uma composição musical. Regida pela clave que determina o tempo da duração do som. A nota é desenhada conforme seu valor, o qual também possui tempos de pausa (ou silêncio) relacionada ao valor temporal da nota a ser substituída dentro de um compasso.

A figura abaixo mostra melhor a as pausas e as durações das notas através da figura:



Essas disposições gráficas acima são nomeadas na respectiva ordem como semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa.

As notas devem ser regidas pela tonalidade da clave e pelo tempo do compasso pré-determinado no começo da partitura. E podem, além disso, vir acompanhadas por elemento que “foge” da regra determinada pela tonalidade, podemos chamá-los de acidentes, por possuírem uma especial característica dentro da harmonia ou melodia, são caracterizados como: notas acompanhadas por sustenidos (elevam a tonalidade da nota em ½ tom) e bemóis (diminuem a tonalidade da nota em ½ tom), bequadros (cancelam o sustenido e/ou bemol da nota em específico dentro do mesmo compasso, aparece posteriormente á nota sustenizada ou bemonizada), ou dobrado sustenido ou dobrado bemol (potencializam o grau de elevação ou diminuição da nota). Como na figura:




Neste caso temos o símbolo # (sustenido), o b (bemol) e logo após, dentro do mesmo compasso, temos o bequadro cancelando o bemol, no outro compasso tem-se o dobrado bemol e o dobrado sustenido.

A partitura musical possui elementos especiais que delimitam o jeito de se tocar umas frases musicais, chamados de dinâmicas musicais que regulam a intensidade das notas, como por exemplo: o símbolo pp (pianíssimo), significa executar a frase com intensidade muito baixa, mais baixa que o piano; e no caso do símbolo ff (fortíssimo), significa tocar com a intensidade muito forte. E existem outros diversos símbolos que regulam a variação de intensidade de uma frase musical.















Capítulo 5 - O "signo" bakhtiniano na Linguagem Musical moderna

Para projetar a teoria semiótica de signos de Bakhtin sobre a linguagem musical moderna é necessário entender mais sobre o que é ideologia. Dentre as diversas definições que temos de diversos autores consagrados citarei um significado extraído de um dicionário on-line , o qual retrata uma reflexão simples:

do Grego: idéa + lógos, tratado
s. f.,
Ciência que trata da formação das idéias e da sua origem;
Conjunto de idéias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de uma classe, e que são produto de uma situação histórica e das aspirações dos grupos que as apresentam como imperativos da razão;
Sistema organizado e fechado de idéias que serve de base a uma luta política.



Como se pode ver, ideologia é um conjunto de todo repertório que o indivíduo pode carregar dentro da sociedade, desde a formação de sua consciência, seu processo de amadurecimento até suas idéias tornarem dominantes sobre um determinado grupo, criando assim uma forma de se pensar. Pode-se, então, reduzir a ideologia à palavra consciência.

É deste modo de pensar e agir, que não se forma pela experiência no sentido de acreditar que essa é a única forma de conhecimento (Empirismo), e nem se forma como dado racional (Racionalismo), que se estabelece o movimento incessante por meio do qual os homens fixam e institucionalizam modos de viver.

E, é neste processo que o indivíduo produz idéias e representações para esclarecer e compreender sua vida.

Entretanto ao analisarmos a palavra idéia, dentro do mesmo molde de raciocínio, segundo o mesmo dicionário, idéia é:

Do Latim idea < Grego idéa
s. f.,
Representação mental;
Representação abstrata e geral de um objeto ou relação;
Conceito;
Juízo;
Noção;
Imagem;
Opinião;
Maneira de ver;
Visão;
Visão aproximada;
Plano;
Projeto;
Intenção;
Invenção;
Expediente;
Lembrança.

- fixa: idéia dominante, obsessão.

Conforme a palavra ideologia, podem-se ser extraídos desta definição os significados das palavras: maneira de viver, o projeto e até a idéia dominante. Entretanto fixemos agora na definição que nos levará as caracterizações semióticas sobre a linguagem musical.

Idéia é uma imagem mental, claro que quando enxergamos um objeto ou uma ação, que podemos classificar como representações significativas. O cérebro se encarrega de tornar possível uma reflexão, ainda que rápida, do simples signo analisado e buscar como se fosse um banco de dados natural, o verdadeiro significado do signo.

Bakhtin defende a idéia que o signo é uma parte material da realidade, ou seja, signo representa a realidade. Sendo assim, se analisarmos uma letra musical oficializada no início do movimento modernista, como o Hino Nacional Brasileiro, teremos n elementos contextuais, várias referências patrióticas ao nosso povo, ao que possuímos, ao que possuíamos na descoberta do país, ao que podemos conseguir com “braço forte”, á bandeira etc. A Letra de Joaquim Osório Duque Estrada usa uma linguagem persuasiva que faz invocar o amor pátria, de tal maneira a defendê-la com a própria morte se for necessário.

Sendo assim, quando um indivíduo dotado de um grande repertório histórico, detentor da obrigação de exercer o patriotismo, como por exemplo, o Soldado do Exército, quando apenas ouvir ou tocar a música de Francisco Manuel da Silva sentirá o peso da responsabilidade de defender este País a qualquer custo, pois cada nota a ser tocada, trecho de um compasso, terá, além desses signos materiais, os signos ideológicos, ou seja, a formação de uma consciência ideológica.

E por fim, Bakhtin nos relata que signo deve ser pensado socialmente e dentro de um contexto, e existe uma grande relação entre a formação da consciência humana e todo universo de signos, assim podemos acreditar que a linguagem musical moderna busca, não apenas invocar os deuses como na antiguidade, ou buscar a perfeição da métrica como no Classicismo, mas estar repleta de elementos ideológicos carregados pela sociedade e ter um grande poder sobre um determinado grupo dentro dela mesma.
























Capítulo 6 - O "signo" de Guiraud aplicado à Linguagem Musical

Para Guiraud o signo produz uma imagem na mente humana, a qual, por sua vez, retrata uma figura trazendo ao indivíduo o significado real que o signo representa para ele, concluindo numa comunicação entre o signo e o indivíduo.

Essa reação pode ser provocada por um conjunto sonoro, gráfico ou até mesmo mental. É evidente salientar que o indivíduo pode criar seu próprio estímulo psíquico, gerando uma imagem mental associada ao seu signo criado, e determinar seu próprio significado, como é o caso de um desenho abstrato produzido por uma criança. Só a ela este signo terá uma denotação concreta, fundamentada em algum outro estímulo que a fez reproduzir sua própria realidade.

Ao observar um indivíduo executar uma música, tocando um instrumento musical e lendo uma partitura, não podemos perceber a representação mental que a música lhe traz. É como se existisse uma força que movesse este indivíduo a seguir um tipo de ordem de comando e fazer com que o mesmo enxergue a notação musical e repasse ao instrumento, após mentalizar muito rapidamente os signos musicais, a música grafada numa linguagem não-verbal.

O indivíduo vê, na verdade, como as notas musicais serão aplicadas em seu instrumento, no caso da flauta doce, ele imagina quais orifícios da flauta serão apertados para representar tal nota escrita.

A flauta é classificada como instrumento musical de sopro, com um tubo cilíndrico aberto, o som é produzido pela passagem do ar por uma aresta. Abaixo, tem um desenho de uma flauta doce convencional:



O indivíduo, ao ler uma notação musical, vê:




E esta é a representação psíquica que o indivíduo tem ao ler uma partitura musical executando um instrumento de sopro com a flauta doce:




Cada ponto preto representa um furo lateral ou frontal pressionado com o dedo a fim de reproduzir a nota desejada.

É claro que o indivíduo cria outras imagens mentais, mas isso dependerá de sua condição sentimental, o que a música executada lhe traz a memória, o que o instrumento musical lhe representa, o que a música lhe faz sentir e até sua condição física. Um instrumento como a flauta produz um som melodioso e confortante e geralmente uma imagem de paz apresentaria na mente do indivíduo.





















Considerações

Diante do trabalhado elaborado, pode-se entender que música é considerada uma linguagem, pois ela contém um sistema de valores que a sociedade impõe direta ou indiretamente a fim de atingir a própria sociedade.

Por meio da música transmiti-se uma visão de mundo, um retrato da realidade e conceitos alusivos a estereótipos sociais. A linguagem musical faz com que as pessoas se relacionem, comunicando entre si através dela. Ela forma consciências enchendo-as de conteúdos ideológicos, passando e repassando uma carga cultural diversificada.

Esta linguagem formal e não-verbal pode ser encontrada cheia de explícitos e implícitos, e também pode ser considerada linguagem de nacionalidade, pois também pode representar tradições culturais, hábitos lingüísticos de uma nação etc.

Entretanto, a linguagem musical possui signos notacionais como o pentagrama, as claves de compasso, as figuras de notas, as dinâmicas etc. A música se forma a partir da leitura dos signos musicais, graficamente falando, e seu interpretante pode desenvolvê-la linearmente dentro de uma composição.

Pelos motivos acima apresentados, podemos dizer que cada notação musical é um signo, o qual, remete a mente humana uma figura ou imagem dele, exercendo um certo poder sobre seu leitor, fazendo com que o interprete seja convencido por uma gama de ideologia trazida das letras musicais e persuadido pelas mensagens implícitas e explícitas da sutileza musical.





























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