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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Honestidade, ainda que invisível



Pense na seguinte hipótese: se você pudesse ser invisível por um dia, o que você faria? Primeiramente, o que te vem à cabeça, ficar quieto para não ser encontrado ou entrar em lugares restritos pra você? Em ambas as opções, você faria algo honesto?
Quero responder essas perguntas com duas histórias contidas na bíblia. A primeira trata de um homem que escolheu não ser invisível e mudou a história da humanidade, a outra trata de um homem que passou-se por outra pessoa e tomou o que não era dele, e depois fugiu da morte até ter um encontro com Deus.
Jesus quando exposto a uma situação que poderia esconder-se pra não ser preso, escolheu permanecer aonde estava e confiar em Deus. Em (Mt 26:50): “Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.” Esta pergunta foi feita a um dos discípulos, Judas o qual vendeu o Mestre por 30 moedas de prata aos grandes sacerdotes, no momento em que beijou Jesus mostrando aos soldados quem era o Mestre. Jesus mesmo sabendo que seria traído, quando na última ceia disse: (Mt 26:21): “E Ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.”, escolheu não ficar invisível e sofrer as consequências de sua honestidade.
De acordo com esse texto, escolher não ser invisível foi a melhor opção, pois graças a Jesus, temos a oportunidade de sermos salvos. Tua atitude de morrer por nós estendeu o reino de Deus a todos os povos da Terra.
Há também uma passagem na bíblia que relata a história de uma pessoa que preferiu ser invisível passando-se por outra pessoa para ter uma benção que não era dele. Em (Gn 27:35): “Respondeu Isaque: Veio teu irmão e com sutileza tomou a tua bênção”. Uma passagem que conta a façanha de Jacó em tomar a bêncão da primogenitura de Esaú, enganando o debilitado pai Isaque no leito de morte. Ele cobriu as mãos com pele de carneiro para parecer-se com o irmão Esaú e trouxe o prato de comida preferido do pai para agradá-lo. Após Isaque dar a única bênção de primogenitura a Jacó, Esaú jura em matar Jacó, o qual foi obrigado a fugir.
Jacó ficou invisível, pois para Isaque, ele era Esaú. Ele entrou nos aposentos do pai, aonde não foi convidado e recebeu algo que não era pra ele. Por causa disso, sofreu fugindo de sua própria família, perdendo os laços afetivos de sua geração até ter uma revelação de Deus, quando Jacó é abençoado. Deus lhe dá outro nome e uma nova identidade. A partir desse encontro ele não seria mais desonesto. E através dele nasce uma grande nação. Isso mostra que Deus realiza seus propósitos, independentemente do pecado dos homens.
Seriam inúmeras as oportunidades de sermos invisíveis, de fazer coisas que não agradam aos olhos de Deus quando não somos vistos. Mas, quando formos expostos a uma situação que nos obrigue a fazer uma escolha entre ser invisível ou ser corajoso em “dar a cara a tapa”, entre enganar a algúem ou sermos nós mesmos e sofrer as consequências da sinceridade, que sejamos sempre honestos, verdadeiros em nossos atos ou declarações, não propensos a enganar, mentir ou fraudar. Que sejamos como crianças perante Ele, reconhecendo nossas fraquezas, porque pela graça de Deus, sempre temos escolha de sermos honestos, ainda que invisíveis.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Oratória Curso de Recursos Humanos III 2010

Bom dia a todos, convido os Senhores e Senhoras a refletir sobre honestidade.

Vivemos em uma sociedade marcada pelo desafeto, consumismo desnecessário, de vaidades excessivas e desigualdade social crescente.

Como em uma cadeia alimentar, pessoas estão se devorando para obter vantagens e atender seus próprios interesses, passando por cima de gente para subir na vida, destruindo sonhos dos outros pela incapacidade própria de sonhar por um bem melhor coletivo.

Sãos evidentes as injustiças e a prosperidade do poder nas mãos dos maus.

É grande a quantidade de gente passando fome e sem teto.

Contudo, não podemos afirmar que está tudo perdido. Acredito que há pessoas que podem mudar o mundo, pessoas que trabalham e não roubam, pessoas estudam e não praticam iniqüidades, gente que quer um futuro melhor usando os meios lícitos.

Acredito que ainda existem pessoas que são altruístas, não egoístas, que se dedicam aos semelhantes, não só a si próprias.

Gente, que tem como maior virtude a honestidade. Que não só pregam ser honestas, mas são verdadeiras e justas.

Todos os dias peço a Deus que me torne uma pessoa melhor, e hoje Ele meu deu mais uma ferramenta para isso. Usarei meu conhecimento para ajudar não só meus colegas ou meu local de trabalho, e sim todas as famílias que dependem dos vencimentos desses trabalhadores.

Rui Barbosa já tinha advertido: “Haverá um tempo que o homem terá vergonha de ser honesto”. Não deixem esse tempo chegar.

Por isso senhores, sejam sempre verdadeiros e justos, acima de tudo, honestos.

E por fim, Agradeço aos instrutores e a todo efetivo do Gabinete de treinamento, tenho certeza que vocês não esqueceram dessa turma.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Reino de Deus em nós


Vivemos intensamente os dias de nossas vidas com desejo de um dia ver Deus. E isso também significa não ter mais perdas, poder desfrutar das maravilhas do céu, ter paz o tempo todo, ser feliz incondicionalmente, não sofrer mais aflições etc.

Aprendemos desde criança que para termos o que desejamos temos que saber esperar e estar disposto a pagar o preço necessário. Ás vezes, ter que renunciar alguma coisa ou até mesmo desistir do desejo senão nos convém realizá-lo ou senão for lícito.


No entanto, já adultos conhecemos atalhos, temos mais a ensinar do que aprender, e sempre buscamos a felicidade. Queremos ver nossa família crescer e ser abençoada, ter prosperidade e bonança, viver sob a graça de Deus.


E sobre isso posso afirmar que a esperança de uma vida melhor e acreditar no que Deus nos reservou é uma grande prova de fé na Sua palavra.


Sabemos que um dia veremos a glória de Deus, pois queremos o céu e nele viver eternamente. O lindo céu que nos foi feito deve ser maravilhoso, como já disse João em Apocalipse 21:18: “E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro ''.

Ao falar sobre Reino de Deus nos é remetido a idéia de promessa futura, lugar onde vamos morar quando Ele voltar. Entretanto, um dos significados de Reino de Deus, segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, Reino de Deus também é a “Igreja Cristã”.


Sob esta ótica, podemos dizer que somos templos de Deus, por isso Ele reina em nós. Logo Ele estabeleceu seu reinado em nós quando decidirmos segui-lo.


Observemos o texto a seguir:
"Mc 10 46-52
46 Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.


47 E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.


48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim.


49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.


50 E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.


51 E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.


52 E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho."

A multidão via o cego gritar por pedido de misericórdia e mandavam-no que calasse. Mas ele com determinação e fé gritava mais.


Algo o motiva, esperava que em Jesus iria poder enxergar, pois era o que mais queria. Mas Jesus lhe deu muito mais.


Jesus lhe deu vida, Jesus lhe deu dignidade, Jesus lhe fez levantar do chão, e a partir daquele momento ele viu o caminho que devia seguir.


Jesus não esperou o amanhã para fazer o milagre.


Deus mandou alguém para lhe chamar no meio de uma multidão que o repreendia, para lhe dar uma palavra de ânimo e convidar para ter com o mestre, porque naquele dia Jesus iria mudar sua história:


“v.49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.”


Você pode viver o melhor de Deus hoje.


O Reinado de Deus se estendeu até nós, e todos os dias Deus nos dá graça e esperança. Somos a maior prova do milagre Dele, somos o sal dessa terra num mundo que repreende um cego pedindo milagre, somos como o discípulo que foi buscar o cego para ter um encontro com Jesus.


Abra os olhos espirituais e veja que ele quer te ajudar hoje, quer te dar não só o que você deseja, mas mudar sua história a começar pela tua dignidade.


Devolverá sua credibilidade, as pessoas vão acreditar em você, porquê você agora é prova viva do reino de Deus na terra.


E você levará boas novas, e testemunhará que Cristo reina em nós.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Exegese de Sl 133-13

Introdução
O presente trabalho tem por finalidade trazer à comunidade acadêmica a exegese do Capítulo 133 do livro de Salmos, tratando assuntos como tradução do texto, data, lugar, autoria, gênero literário, forma e poesia, bem como a interpretação textual. Além do mais, estabelecer um paralelo com os dias atuais.

O texto e sua tradução (Sl 133)

1. “Oh, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
2. É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a Barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
3. É como orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção.”


1. Data, autoria e lugar.

Não há como afirmar uma data precisa a este Salmo. Trata-se de uma poesia sem dados temporais específicos. No entanto, utilizando-se das simples informações escritas no texto, é possível dizer que o salmista ao retratar a figura de Arão nos remete a idéia que foi escrito no período pós-exílio, quando o povo judeu reconhece o sacerdócio dele, época do término da reconstrução do templo.

Em relação a autoria, há possibilidade desse texto ter sido escrito por Davi, conforme trata o título da poesia, mas afirma-se que títulos como esse foram acrescentados posteriormente.

Quanto ao lugar, sendo o Sl 133 um cântico de romagem , cantado pelos peregrinos que migravam a Jerusalém, talvez o salmista estivesse em uma das três festas anuais celebradas quando subiam a esta cidade, como é tratado em (Êx 23..14-17).

2. Gênero literário
A poesia hebraica teve grande popularidade em todo o antigo Oriente Próximo. Numerosos exemplos desse gênero literário chegaram a nós de Canaã (cujos músicos e cantores tinham fama internacional) bem como do Egito e da Mesopotâmia
Uma leitura atenta dos Salmos aponta uma série de características de forma e conteúdo que permitem classificá-los em grupos, de acordo com o seu gênero literário. Por outro lado, a identificação desses gêneros é muito importante para compreender os salmos adequadamente.
Podemos distinguir no Saltério as seguintes categorias de salmos:
Salmos sapienciais ou didáticos, que são meditações sobre a natureza da vida humana e das ações divinas (1; 37; 49; 73; 91; 112; 119; 127—128; 133).

3. Interpretação do texto
(V.1). “Oh, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
A frase “viverem unidos” nos remete a idéia de família e convivência, porque o povo viveu muito tempo separado por causa do exílio. Isso marca a restauração da comunhão entre os irmãos.
O salmista enfatiza é bom viverem unidos, pois isso trará satisfação plena ao povo; e também diz que é agradável viverem assim, porque também seria prazeroso e amável, conotando o sentido de felicidade.
(V.2). É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a Barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
No texto, o significado do óleo representa o material usado para unção e consagração de Sumo-sacerdotes. O salmista referencia Arão, e como tradição sacerdotal do povo, era muito especial o ato de derramar com o óleo sobre a cabeça.
(V.3). É como orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção.”
Geograficamente, o vale de Hermon situa-se muito distante dos montes de Sião. Mas o salmista retrata a fertilidade que é desfrutada pelos habitantes de Canaam as margens do rio Jordão.

Conclusão
Esse salmo ensina ao povo a grande importância de viverem unidos sempre. Ao referenciar o óleo que desce a Barba de Arão, e o Vale de Hermon, o salmista tenta fazer comparações com sensações maravilhosas, abundância de felicidade e prosperidade, além desse ato ser tão sagrado quanto a unção sobre um sacerdote. E conclui dizendo que ali sim, na união, o Senhor opera sua graça.
Nos dias de hoje, evidentemente, não tem sido diferente.
No entanto, é possível compreender por meio desse salmo o que Deus quer nos dizer. Se não fomos altruístas, cuidar mais do interesse alheio do que dos nossos, não dedicar ao outro com muito amor, Deus não operará sua bênção.
Com certeza, o agir de Deus está intrinsecamente ligado a nossa união, pois se não amarmos uns ao outros, como poderíamos amar a Deus? Não faria sentido.
Bibliografia
BERTOLINI, José, Conhecer e rezar os salmos, São Paulo, Paulus, 2006, pa. 11-12.
Bíblia. Português. Bíblia de estudo Almeida. Tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada, 1993. 2 ed.
UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. Fraternidade, canal de bênção e saúde para o povo de Deus. Disponível em: (http://www.metodista.br/ppc/caminhando/caminhando-17/fraternidade-canal-de-bencao-e-saude-para-o-povo-de-deus. Acesso em: 01 de junho de 2010).
Priberam. Dicionário on-line de Língua Portuguesa. Disponível em: (http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx), acessado em 03 de junho de 2010.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Porque existia uma árvore proibida?

Em Gênesis 3, a bíblia relata o momento em que Adão e Eva no Jardim do Édem são tentados a comer da árvore proibida. A serpente que induz Eva a comer da árvore, e Adão que posteriormente come convencido pela mulher.

Conforme a resposta de Adão quando indagado por Deus: “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.“ (v.12), Adão só comeu da árvore por causa da mulher. E conforme a resposta de Eva, ela só come da árvore porque foi enganada pela serpente:  “E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.” (v.13). E por conseqüência disso, a serpente foi hostilizada por Deus.


Por esta ótica, se a serpente não existisse, nem Adão e nem Eva teriam pecado.
A pergunta intrigante poderia ser: porque existia uma árvore proibida? A resposta mais precisa e detalhada não encontraremos no texto. No entanto, devemos por outro modo, não colocar o pecado no centro da história e sim, o perdão de Deus.
Além de Adão e Eva terem conhecido de fato o que era certo ou errado depois de comer da árvore, como a serpente insinuou: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.”(v.5), eles experimentaram também, talvez pela primeira vez, o amor redobrado de Deus.

Ao invés de odiá-los, Deus os amou. Mesmo sabendo o que fizeram, Deus mostrou amá-los incondicionalmente, estando com eles nas conseqüências do ato cometido e perdoando a ponto de dar, mais tarde, o seu filho Jesus a humanidade através do homem e da mulher.
A partir daí, podemos fazer uma analogia com os dias de hoje. Somos como Adão e Eva, temos o mundo pra vivermos de forma digna, obedecendo a Deus, desfrutando de toda Sua graça e amor, mas todos os dias nos deparamos com a opção de pecarmos, pois as “árvores proibidas” fazem parte de nossa vida e elas estão em toda parte. A cada manhã temos que escolher entre experimentar o pecado ou resistir as tentações que nos afligem pra que nada nos afaste de Deus, buscando Nele direção e graça.
 Jesus veio ao mundo e perdoou todas as nossas transgressões, e hoje somos perdoados, antes mesmo de pedir o perdão Divino.  Porque Ele nos ama.
Mas, por que só sentimos o Seu refrigério quando pedimos perdão a Ele, se já fomos perdoados antes de pecarmos?
Não devemos hesitar em assumir nossos próprios erros, como Adão se escondeu: “E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.”(v.10), mas confessarmos mais a Deus, não para garantir o perdão de Dele, mas para quebrar as barreiras impostas pelo pecado, pois o pecado nos afasta de Deus, não Ele de nós.


domingo, 6 de junho de 2010

Exegese Mateus 4: 18-22

Este trabalho tem por finalidade analisar os versículos bíblicos do livro de Mateus (Mt 4:18-22). Buscando dados históricos dos temas mais relevantes da interpretação do texto. Deste modo, estabelecer paralelos com os livros sinóticos. Além do mais, concluir o trabalho traçando referências com os dias atuais.

O texto em diferentes traduções (Mt 4:18-22)
Bíblia on line

18.E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores;
19.E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20.Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.
21.E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes;
22.E chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.

NVI

18 Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores. 19 E disse Jesus: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”. 20 No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.
21 Indo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Eles estavam num barco com seu pai, Zebedeu, preparando as suas redes. Jesus os chamou, 22 e eles, deixando imediatamente seu pai e o barco, o seguiram.

Blília de Jerusalém

Mt 4:18- Comme il cheminait sur le bord de la mer de Galilée, il vit deux frères, Simon, appelé Pierre, et André son frère, qui jetaient l'épervier dans la mer ; car c'étaient des pêcheurs.
Mt 4:19- Et il leur dit : " Venez à ma suite, et je vous ferai pêcheurs d'hommes. "
Mt 4:20- Eux, aussitôt, laissant les filets, le suivirent.
Mt 4:21- Et avançant plus loin, il vit deux autres frères, Jacques, fils de Zébédée, et Jean son frère, dans leur barque, avec Zébédée leur père, en train d'arranger leurs filets ; et il les appela.
Mt 4:22- Eux, aussitôt, laissant la barque et leur père, le suivirent.

Blília de Jerusalém

Mt 4:18 - Enquanto caminhava sobre o Mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando um falcão no mar, pois eram pescadores.
Mt 4:19 - E ele disse: "Siga-me, e eu vos farei pescadores de homens".
Mateus 04:20 - Eles, deixando imediatamente as redes e seguiram-no.
Mt 4:21 - E avançando mais adiante, viu outros dois irmãos, Jacques, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes, e ele os chamou.
Mateus 04:22 - Eles, imediatamente, deixando o barco e seu pai, seguiram-no.
O texto e alguns de seus paralelos
É possível traçar alguns paralelos dos versículos de Mateus com os outros dois Evangelhos, Lucas e Marcos. Entendendo assim, a história contada em diferentes pontos de vista.

Mateus é mais objetivo quando conta sobre a vocação de André e Simão Pedro, dizendo em curtas palavras que estes irmãos creram no mestre, ou por já saberem que Ele era o enviado de Deus ou que talvez, souberam ali mesmo, que Ele era o Rabi que tinham que seguir, conforme exemplo:

Em (Mateus 4: 18-19)
“ 18. E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores;
19.E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”

Este texto é escrito no evangelho de Lucas com maior riqueza de detalhes, contando a mesma história tratando a seqüência do fato

Em (Lucas 5: 8-11)
“ 18. Vendo isso, Simão Pedro prosou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador.
19. Pois, a vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros,
10. bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temais; doravante serás pescador de homens.
11. E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.


Por outro lado, Lucas trata do milagre da pesca feita anteriormente por Jesus no barco deles. Que ao ver este grande milagre, Simão Pedro não suportou e prostrou-se diante de Jesus pedindo misericórdia. Aí então, Jesus o convoca par ser Seu discípulo.

Um outro paralelo é possível ver em Marcos. Neste evangelho, quanto a vocação dos primeiros versículos, é possível perceber que foram usadas quase as mesmas palavras da escrita de Mateus, ou vise-versa, como pode-se ver em:

(Mt 4: 21)

“ E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes;”

(Mc 1: 19)
“ Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes.



Mar da Galiléia
(Mt 4:13) “e, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali’’;

Apesar de ter nascido em Belém, Jesus passou a maior parte de sua história em Nazaré, até sair de Nazaré e morar em Cafarnaum, perto do mar.

Jesus escolheu Cafarnaum para exercer seu chamado ministerial. Podemos dizer que era um lugar de comércio, onde havia uma grande miscigenação de pessoas, além de fácil acesso a outras cidades, as margens do mar da Galiléia.

Interpretação V. 4: 18
“E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores;”

Segundo as escrituras, pode-se acreditar que André e Simão Pedro, eram discípulos de João Batista antes do encontro com Jesus. Pois em (João 1: 35-42), André já tinha ouvido o testemunho de João Batista sobre Jesus, e foi o primeiro a contar ao irmão que Jesus era o Messias, marcando assim, o início da chamada ministerial dos discípulos iniciando por André.

Em (Lc 5: 1-11), Jesus anteriormente faz o milagre da pesca, não restando dúvidas para Simão Pedro que ele era o enviado de Deus, por isso logo o seguiu.

Em (Joao 1: 43-51), talvez Felipe foi o terceiro, e Natanael o quarto discípulo a iniciar a vida ministerial com Jesus.

Provavelmente, Jesus chamou todos os quatro discípulos no mesmo dia, mas não é possível definir o local por causa da inexatidão das escrituras. Mateus afirma que Jesus passava pelo Mar da Galiléia quando chamou os primeiros discípulos; mas João diz que o local do chamado deles foi em locais onde João Batista pregava, ou seja, na Judéia.

Tiago e João foram chamados logo após. E Mateus depois ainda.

Biografia dos primeiros discípulos
Porque Simão foi chamado de Pedro por Jesus? Em (Atos 2 e 3), é possível ver mais profundamente o ministério de Pedro. Ele agia como alicerce da igreja, pulso firme, exercia autoridade e possuía uma personalidade firme, como uma rocha. Era impulsivo, amoroso, tímido e entendia com dificuldade os ensinamentos. Morreu em Roma, crucificado de cabeça para baixo. Nasceu em Betsaida, mas morava em Cafarnaum, na Galiléia; pescador de ofício.

André, de Betsaida, apresentou Pedro a Jesus. Homem zeloso, sincero e dedicado ao seu chamado ministerial. Primeiro missionário estrangeiro. Morreu martirizado na Acássia, onde também pregou. Foi crucificado em uma cruz em forma de “x’’.

Tiago, de Betsaida, também pescador. Era de personalidade forte e ambiciosa; pregou pela Judéia. Morreu pela espada de Herodes Agripa I, tornando-se o primeiro mártir. João, também de Betsaida, trabalhava com seu irmão Pedro na pesca. No começo de seu ministério foi uma pessoa espírito exaltado e indisciplinado. Pregou em Jerusalem. Morreu de morte natural aos 100 anos de idade.


Interpretação V. 4: 19
“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”

Jeremias trata do destino do reino de Judá, conforme parte do versículo (Jeremias 16: 10): “O Senhor enviará pescadores e caçadores de homens para o açoite”

Ora, Jesus dá uma nova conotação a profissão de pescadores, pois agora ordenara que sejam pescadores de homens, ou seja, que levem a palavra aos confins da Terra e tornem homens em discípulos.

Interpretação V. 4: 20
“Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.”

Na época era costume do discipulado rabínico o contato integral e diário com o mestre, para o melhor aprendizado na prática, não só na teoria.

Santo Agostinho, disse em uma de suas citações que Pedro não largou as redes, e sim trocou-as por outras.

Jesus depositou sua confiança em duas pessoas comuns que encontravam-se trabalhando, em busca de sustento de seu lar. Já que as cinagogas não o agradaram.

Interpretação V. 4: 21
“E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes;”

Tiago foi um dos discípulos que mais se aproximou de Jesus.

Em (Atos 12:21), Tiago foi uns dos decretados de morte por Herodes.

Já em (Marcos 16:1 e Mateus 27:56), é possível perceber que Salomé era irmã de Maria, mãe de Jesus. Também era esposa de Zebedeu e consequentemente mãe de Tiago e João.

Pedro, Tiago e João, compunham o trio mais íntimo de Jesus, tinham personalidade explosiva - provavelmente pela profissão que exerciam. Só eles viram alguns grandes milagres de Jesus como a ressurreição da filha de Jairo (Mateus 9: 23-26) e a transfiguração de Jesus (Marcos 9:2), sem contar que estiveram com Jesus no Getsemani (Marcos 14:33).

Quanto ao ato de consertar as redes, era de costume dos pescadores da época consertar, desembaraçar e lavar as redes logo após um dia de trabalho.

Interpretação V. 4: 22
“E chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.”

Os filhos estavam em companhia do Pai Zebedeu quando trabalhavam. Zebedeu era um homem que possuía empregados (Mc 1:20), logo pode ver que possuía bens e vivia com um certo conforto.

Provavelmente concedeu a seus filhos a permissão para seguir a Jesus; sua esposa mais tarde doaria mantimentos a Jesus, seguindo a tradição judaica das mulheres que doavam mantimentos e roupas aos mestres Rabinos.

Conclusão
Por meio desse trabalho de análise dos versículos de Mateus 04: 18-22, pode-se entender mais sobre a história do chamado dos primeiros discípulos. Traçar uma pequena explicação sobre a aproximação familiar entre eles, tratar um breve resumo da biografia e personalidade desses homens. Contudo, estabelecer um paralelo com os dias atuais quanto a iniciação do ministério de cada pessoa que deseja seguir o mestre Jesus.

Jesus, escolheu seus discípulos em lugares de trabalho árduo, chamou pessoas comuns, pois esses eram ocupados com a pesca e dedicados a família. Mas que acreditavam nas profecias messiânicas e que temiam a Deus.

Mateus quando escreve aos judeus, relata que o Mestre caminhava pelo Mar da Galiléia quando encontrou Pedro e André. O mestre procurava discípulos e com certeza encontrou homens segundo o coração de Deus.

Pedro, André, Tiago e João não faziam idéia das maravilhas que veriam no futuro. Os milagres que esses homens presenciaram foram tão incríveis que até hoje Deus é adorado por isso. Mas também não poderiam prever que suas mortes seriam mártires, que morreriam tragicamente, exceto João, pelo amor ao Mestre.

Poderiam talvez seguir outros mestres, pois na época, assim como hoje, haviam tantas coisas pra se acreditar, tantos mestres e deuses. Porque acreditaram num só Deus, exatamente naquele mestre rabínico? Seguir um homem de origem pobre e de aparência comum?

A resposta talvez seja porque podemos afirmar que só existe um Deus, que esvaziou-se de sua glória e se fez como nós, sentir nossas dores, andar como nós andamos, respirar o ar que respiramos, pra dizer eu te amo, vem e segue-me hoje.


Bibliografia
A Blília de Jerusalém e Tradução - Francês para o português Disponível em: (http://www.biblia-cerf.com/BJ/mt4.html),
(http://translete.google.com.br/#fr/pt/),acessados em 12 junho de 2010.

CHAMPLIN, R.N. O novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Editora Hagnus, 2002.

Bíblia. Português. Bíblia de estudo Almeida. Tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada, 1993. 2 ed.

Bíblia online. Disponível em: (http://www.bíbliaonline.com/acf/mt/4), acessado em 12 junho de 2010.

Gospel Mais. Disponível em: (http://www.gopelmais.com.br/biblia/pdf/mateus-matthew.pdf),

Montesiao. Estudos/Curiosidades. Disponível em: (http://www.montesiao.pro.br/estudos/curiosidades/perfil.html), acessado em 03 de junho de 2010.







Linguagem musical num prisma semiótico (Curso de Letras)

LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA

Taboão da Serra
2º Semestre/2007

LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA


Trabalho de Conclusão apresentado como exigência final do Curso de Letras, Licenciatura Plena em Línguas Portuguesa, Inglesa, e suas Literaturas, sob a orientação do Prof.º Dr. Ricardo Baptista Madeira.

Taboão da Serra
2º Semestre/2007


Dedico este trabalho à minha família e à minha noiva Fabiana Alves, por acreditarem no meu potencial, por investirem em meu sucesso, e pelo incentivo na realização deste sonho.

Agradeço aos professores por “abrir meus horizontes”, aos meus amigos Andréa Tomaz e Juerlei Ráfel por todo apoio durante essa jornada, e ao mestre Ricardo Madeira, pela atenção e orientação dada para execução desse trabalho.

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho origina.l"
Albert Einstein
LINGUAGEM MUSICAL
NUM PRISMA SEMIÓTICO
FLÁVIO CASSAROTTI DE SOUZA




BANCA EXAMINADORA:

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Orientador: Professor Ricardo Baptista Madeira

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Professor(a):

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Professor(a):






RESUMO



O presente trabalho tem por finalidade trazer à comunidade acadêmica a aplicação de signos lingüísticos na linguagem musical, como a música pode ser entendida pela ciência semiótica passando por uma breve definição de Linguagem apresentando alguns de seus aspectos, teorias sobre signo lingüístico citando autores renomados da Lingüística e Semiótica e uma explanação sobre a linguagem musical, retratando sua origem, suas teorias, e até sua aplicação.




















Palavras-chave: Linguagem, Signos Lingüísticos, Linguagem Musical.

ABSTRACT



The purpose of this paper is to acknowledge the academic community the use of linguistic signs in the musical language, how the music can be understood by semiotics science through a brief definition of Language presenting some of its aspects, theories about linguistic signs mentioning recognized Linguistics and Semiotics authors and a explanation about Musical Language, its theory




















Keys-word: Language, Signs Linguistics, Music Language.

Sumário


Introdução.....................................................................................10

Capítulo 1 - Conceitos fundamentais de Linguagem......................12

Capítulo 2 - Definições de Signo

2.1 Signo segundo Ferdinand Saussure...................................19
2.2 Signo segundo Charles Sanders Peirce...............................23
2.2.1 A Primeira Tricotomia................................................23
2.2.2 A Segunda Tricotomia................................................25
2.2.3 A Terceira Tricotomia.................................................26
2.3 Signo segundo Mikhail Bakhtin.........................................28
2.4 Signo segundo Pierre Guiraud..........................................30

Capítulo 3 - Breve histórico da Linguagem Musical........................32

Capítulo 4 - Características da Linguagem clássica musical...........36

Capítulo 5 - O "signo" bakhtiniano na Linguagem Musical
Moderna.........................................................................................42

Capítulo 6 - O "signo" de Guiraud aplicado à Linguagem
Musical...........................................................................................46

Considerações................................................................................49

Referências....................................................................................52

Introdução


Entende-se por Linguagem, sob um estudo semiótico humano, modalidade que controla o comportamento dos indivíduos, detentora e transmissora de conceitos e valores a sociedade, formadora de opinião por excelência. A linguagem une as pessoas e está presente desde a formação psíquica dos homens até a sua integração social. Linguagem está ligada à ideologia, a preceitos de um grupo social, pois é por meio dela que se forma a consciência humana.

Dentro das diversas características da Linguagem, este trabalho fixa em demonstrar a linguagem musical, linguagem não-verbal, mas na forma escrita. A música tem sido um canal de comunicação desde a antiguidade, os povos pré-históricos já a utilizavam para execução de cultos religiosos, na era clássica, a música foi utilizada para levar o prazer aos mais refinados da época, e no começo da era modernista, a música foi usada para carregar ideologia a grande massa popular.

A linguagem musical é apresentada desde sua origem, suas formas de utilização através dos tempos e suas teorias. Mas também, é observada sob um ponto de vista semiótico, dentro dos conceitos de signo lingüístico.

Para Saussure, signo é o resultado da combinação de imagem acústica e conceito, além de sua arbitrariedade. Peirce caracteriza o signo como seus aspectos qualitativos, quanto a sua particularidade, suas regras de utilização, e algumas de suas subdivisões. Para Bakhtin, signo é dotado de contextos ideológicos. E para Guiraud, signo é um estímulo que cria uma imagem psíquica no indivíduo concluindo numa comunicação entre o significado real deste signo com este indivíduo.

Numa combinação de semiótica e linguagem musical, este trabalho apresenta uma nova visão da realidade, uma forma interessantíssima de enxergar o mundo que nos rodeia, em especial a música.

























Capítulo 1 - Conceitos fundamentais de Linguagem


Alguns filósofos definem a linguagem como espelho da realidade tanto no nível aparente tanto no nível essência. Isso quer dizer que ela reflete as práticas sociais. Entretanto, pode-se definir a linguagem como criadora de uma visão de mundo. Com a evolução das atividades humanas, desenvolvimento dos sistemas lingüísticos ganhando autonomias em certas formações ideológicas é fato que a visão de mundo depende de fatores sociais e esta intrinsecamente ligada à linguagem.

Ricardo Baptista Madeira afirma: “A linguagem não nos permite uma visão cultural e histórica da realidade, ao contrário do que realmente se diz. A linguagem, de fato, nos cria uma como que realidade, uma personalidade, uma história e uma cultura, sendo ela, a linguagem, a inteligência por excelência a se expressar e a se espraiar por todas as dimensões espaço-temporais e psíquicas, como que recriando, a partir de um dado real pré-existente, pré-linguísticos o cosmos das nossas percepções e dos nossos conhecimentos, o mais das vezes, realidade ou verdade, em diferentes níveis de significação.”

A Linguagem rege o comportamento humano. Está presente nos sistemas de valores da sociedade, e esta por sua vez controla seus indivíduos transmitindo conceitos em relação a estereótipos sociais constituindo assim uma consciência condensada pala prática social.



É por meio da Linguagem que os homens vivem em sociedade. Lev Semionovitch Vygotsky e Mikhail Mikhailovich Bakhtin acreditavam na grande utilização da linguagem na formação do caráter e da consciência da criança, ou seja, a Linguagem é fundamental para o desenvolvimento humano e a que mais contribui para que ele viva em sociedade no processo de interação social.

Karl Heinrich Marx deixou registrado que os homens se diferem dos animais, pois possuem modos de criar a sua própria vida material, modos de pensar e agir e nomeou esta teoria como linguagem Real, como no texto:

“Pode-se referir à consciência, à religião e tudo o que quiser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa a existir quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida (...) Ao produzirem os seus meios de existência, os homens produzem indiretamente a sua própria vida material.”

E ainda,

“Nesse sentido, são os modos de produção que permitem distinguir os homens dos animais.
A produção de idéias, de representações e da consciência está em primeiro lugar direta e intimamente ligada à atividade material e ao comércio dos homens; é a linguagem real.”


Bakhtin, fazendo uma alusão à teoria de consciência de Marx, pressupõe que consciência só se torna consciência quando está cheia de conteúdo ideológico, isso só ocorre na interação social. E juntamente a Vygotsky concretiza a grande relevância dos signos lingüísticos, precisamente da linguagem na constituição da consciência. Ressalta o autor: “A consciência adquiri forma e existências nos signos criados por um grupo social organizado no curso de suas relações sociais. Os signos são o alimento da consciência individual, a matéria de seu desenvolvimento, e ela reflete sua lógica e suas leis. A lógica da consciência é a lógica da comunicação ideológica, da interação semiótica de um grupo social. Se privarmos a consciência de sue conteúdo semiótico e ideológico, não sobra nada. A imagem, a palavra, o gesto significante, etc. constituem seu único abrigo. Fora desse material, há apenas o simples ato filosófico, não esclarecido pela consciência, desprovido de sentido que os signos lhe conferem.” E continua: “A consciência individual não é o arquiteto dessa superestrutura ideológica, mas apenas um inquilino do edifício social dos signos ideológicos.”

A luz do exposto usarei como referência a obra de Ricardo Baptista Madeira, por meio de citações diretas e indiretas, para explicitar alguns conceitos de linguagem.

Apesar de Marx deixar claro em sua teoria de linguagem que os animais são diferentes dos homens por não possuírem modos de pensar e agir, criar sua própria vida material; não podemos, entretanto, achar que a linguagem é uma capacidade própria e exclusiva do homem, como explica Madeira: “Há um novo campo de pesquisas aberto justamente em função da necessidade de se conhecer melhor as n formas diferentes de linguagem dos animais, dos insetos, enfim, dos seres vivos que não o homem, (...) chama-se Zoossemiótica (...)”.

Contudo, nos atenhamos à Linguagem como estudo semiótico humano. É necessário dividir a linguagem em dois outros termos: como a língua e a fala.

Também pode-se ressaltar também a língua escrita, afirma Ferdinand de Saussure: “Língua e escrita são dois sistemas de signos; a única razão do ser do segundo é representar o primeiro; o objeto lingüístico não se define pela combinação da palavra escrita e da palavra falada; esta última, por si só, constitui tal objeto. Mas a palavra escrita se mistura tão intimamente com a palavra falada, da qual é a imagem (...)”.

A fala, segundo Madeira, é a própria ação da língua: “(...) o seu resultado é o discurso, enquanto realidade abstrato/concreta, psicofísica, que tem lugar, durante o processo gerativo da enunciação, na mente do sujeito falante, o enunciador, para manifestar-se ao enunciatário (o outro intérprete do discurso)”.

Voltando aos aspectos da linguagem, Madeira ressalta que existem linguagens formais e as não-formais, e explica:



Como exemplos de linguagens formais podemos citar as diferentes linguagens musicais (graficamente falando), as lógicas já conhecidas (...) etc. Linguagens não-formais são todas aquelas que não se expressam através do simbolismo axiomatizado das linguagens formais: exemplos desse tipo de linguagem são a linguagem pictórica, as linguagens teatral, cinematográfica etc. (grifo do autor deste TCC).

Ainda afirma que existem as linguagens as verbais e as não-verbais ou sincréticas, e explica:

Linguagens que fazem o uso da palavra (uma unidade lingüística do discurso humano portadora de significado e função sintática inclusive), são tradicionalmente denominadas de linguagens verbais. Essas, por sua vez, podem ser orais e escritas. Linguagens não-verbais são as em que não se articula ou não se manifesta em suas significações por meio da palavra oral e escrita; neste contexto incluem-se as linguagens da vestimenta, a gestual, a arquitetônica, as artes plásticas em geral etc. (...).

E a profunda, explicando os níveis explícitos e implícitos da informação: “Tudo o que é dito textualmente, o que está posto de maneira tal que pode ser percebido ou apercebido igualmente pelos interpretes da informação, isto é, o que é dito (verbal ou não-verbalmente), denomina-se explícito. Por outro lado, o que é apenas sugerido, ou que se encontra “nas entrelinhas”, por assim dizer, pressuposto ou subentendido no processo comunicacional, isto é o não dito, é denominado implícito, quer seja verbal ou não-verbal.”

E por último as linguagens de nacionalidade e as de não-nacionalidades:

Linguagens de nacionalidade são as que representam tradições culturais e hábitos lingüísticos de algum povo ou nação, tal como o francês, o português, o dinamarquês, (...) etc. Linguagens de não-nacionalidades são as não sentidas por um povo ou nação especificamente como sua própria, tal como a matemática (que também é uma linguagem formal e verbal, pois possui uma simbologia de ordem axiomática e pode ser reproduzida por meio da fala, oral ou escrita) (...)

Numa conclusão final a respeito da linguagem, Madeira exemplifica a realidade produzida pela própria mente ao vermos um determinado objeto: “Se perguntássemos a alguém acerca de um pedaço de giz com o qual se costuma escrever à lousa, por exemplo: “ O que você enxerga ao vê-lo? ”Esse alguém nos diria talvez: “-Um pedaço de giz branco”. Ora, poderíamos perguntar-lhe: Você vê os átomos ou as moléculas a descreverem movimentos em velocidades vertiginosas? Você vê os enormes espaços vazios entre eles, muito mais extensos do que as áreas ocupadas pelas suas partículas formadoras?” A resposta seria, muito provavelmente: “Não, claro que não!” E se poderia acrescentar: “ No entanto, isso que lhe aparece como um giz, que costuma chamar de carbono de cálcio, é um aglomerado de moléculas e de espaços vazios aparentemente, e você não percebe nada disso”!“Você se apercebe de uma realidade que é produzida para você não pelo giz, é evidente, mas pela sua própria mente, a qual reconstrói o real o tempo todo, a partir de um dado primeiro, pré-existente a ela”. A isso denominamos de função ontogenética da linguagem, uma vez que é por meio da linguagem que se dá esse processo reconstrutivo, ontogenético.”

E também apresenta a linguagem em sua função secundária enquanto elemento estruturador da psique humana: “A linguagem aparece-nos como o processo gerador e estruturador da mente e da personalidade humana”.











Capítulo II - Definições de Signo

2.1 Signo segundo Ferdinand Saussure

Saussure define signo como bifacial e fruto da combinação do conceito e a imagem acústica como no trecho de sua obra:

O signo lingüístico une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica. Esta não é o som material, mas a impressão (empreinte) psíquica desse som, a representação que dele nos dá o testemunho de nossos sentidos; tal imagem é sensorial e, se chegamos a chamá-la de “material”, é somente nesse sentido, e por oposição ao outro termo da associação, o conceito, geralmente mais abstrato. (...).

O signo lingüístico é, pois, uma entidade psíquica de duas faces, que pode ser representada pela figura:

conceito
____________________
imagem acústica

Esses dois elementos estão intimamente unidos e um reclama o outro. Quer busquemos o sentido da palavra latina arbor, ou a palavra com que o latim designa conceito “àrvore”, está claro que somente as vinculações consagradas pela língua nos parecem
conformes à realidade, e abandonamos toda e qualquer outra que se possa imaginar.

O autor explica que podemos falar conosco ou recitar mentalmente um poema sem ao menos citar uma palavra ou movimentar os lábios. Isso é porque associamos as palavras de nossa língua a uma imagem acústica. Caracteriza como uma idéia de ação vocal à realização da imagem interior no discurso. Como na imagem ilustrada por Saussure acerca da relação do sentido da palavra latina arbor e a palavra conhecida por nós “arvore”:


conceito “árvore”
_________________ __________________
imagem acústica arbor

______________________

arbor


Podemos conceituar que o signo lingüístico é uma unidade composta de uma imagem mental do som (o significante) e uma imagem mental do pensamento (o significado).

Ainda definamos: conceito é sinônimo de significado (plano das idéias), algo como o lado espiritual da palavra, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante (plano da expressão) que é sua parte sensível.

E também, podemos citar que: o significante é a apresentação física do signo, de forma sonora e/ou imagética. E, o significado é o conceito que permite a formação da imagem na mente de um indivíduo quando ele entra em contato com o significante. 10

Saussure ainda conceitua outra característica do signo, como a sua arbitrariedade: “O laço que une o significante ao significado é arbitrário ou então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo lingüístico é arbitrário.”

E exemplifica: “Assim uma idéia de “mar” não está ligada por relação alguma interior à seqüência de sons m-a-r que lhe serve de significante; poderia ser representada igualmente bem por outra seqüência, não importa qual; como prova, temos as diferenças entre as línguas e a própria existência de línguas deferentes: o significado da palavra francesa boeuf (“boi”) tem por significante b-o-f de um lado da fronteira franco-germância, e o-k-s (Ochus) do outro.”

Adilson Citelli explica sobre a arbitrariedade do signo: “Signo: (...) é (...) arbitrário (não há relação de obrigatoriedade entre o significado e o significante – afinal por que “mesa” tem nome de “mesa”?)”.







































2.2 Signo segundo Charles Sanders Peirce

Segundo Peirce signo é dividido em três partes diferentes para fins de análise: primeira trata do signo em si mesmo, a segunda trata as suas relações com o seu objetivo, e a terceira apresenta as relações entre o signo e seu próprio interpretante.

2.2.1 A Primeira Tricotomia

A primeira parte desta tricotomia é aquele em que o signo funciona como referência ao meio e está subdividida em três outras partes denominadas como Qualisigno, Sinsigno ou Legissigno.

Um Qualisigno trata dos aspectos qualitativos do signo. É cada material ou fenômeno de um signo que lhe apresenta um caráter. Mesmo quando mudamos as características de um signo, seu Qualisigno nunca será o mesmo, será semelhante ao primeiro, mas não ele mesmo. Podemos citar os diferentes significados gestuais, cores, ou até mesmo os aspectos sensoriais que podem ser percebidos pelo olfato, tátil, gustativa, auditiva e auditiva. Exemplificamos ao ver os diferentes estados de uma fruta que podemos sentir se está pronta pra consumo ou se está imprópria.

O Sinsigno (a sílaba sin traduz seu significado de singularidade e simples) correlaciona-se com a permanência do signo no tempo e espaço. O signo tem sua particularidade, sua autonomia porque possui suas regras de organização e potencial de significação. Como afirma Walther-Bense:


O signo depende de determinados quali-signos implicados tanto no espaço quanto no tempo. Por exemplo, determinada palavra numa linha determinada de uma determinada página de um determinado livro é um sin-signo, ainda que existem 10.000 exemplares desse livro no qual ela apareça.


O Legissigno (pode ser entendido como lei) trata da regência e normas estabelecidas pelos homens para a utilização do signo. Como explicado por Peirce e exemplificado por Walther-Bense:


Um Legissigno é uma lei que é um Signo. Normalmente, esta estabelecida pelos homens. Todo signo convencional é um legissigno (porém a recíproca não é verdadeira). Não é um objeto singular, porém um tipo geral que, tem-se concordado, será significante. Todo legissigno significa através de um caso de sua aplicação, que pode ser denominada Réplica. Assim a palavra “o” normalmente aparecerá de quinze a vinte cinco vezes numa página. Em todas essas ocorrências é uma e a mesma palavra, o mesmo legissigno. Cada uma de suas ocorrências singulares é uma Réplica. A Réplica é um Sinsigno. Assim, todo Legissigno requer Sinsignos. Mas estes não Sinsignos comuns, como são ocorrências peculiares que são encaradas como significantes. Tampouco a Réplica seria significante se não fosse para lei que a transforma em significante.


E para maior entendimento, posso ainda citar novamente Elisabeth Walter-bense:

São signos usados segundo as normas, por exemplo, as letras do alfabeto de uma língua, as palavras de uma língua, os signos matemáticos, químicos, lógicos nas ciências, os sinais de trânsito, os signos metereológicos, os da rosa dos ventos, os algarismos do relógio, os graus dos termômetros.


2.2.2 A Segunda Tricotomia

A segunda tricotomia, o signo é sub-dividido em ícone, índice ou símbolo.

O ícone refere-se ao objeto denotando apenas em virtude de suas características próprias, características que ele realmente possui quer o objeto exista ou não. Ícone significa, no grego, imagem (desenho).

O índice é um signo que serve como referência a um determinado objeto. Como por exemplo, uma seta indicadora de uma curva na estrada ou caminho a ser seguido.

O símbolo para Peirce: “é um signo que se refere ao objeto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de idéias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo àquele objeto”.

De acordo com o repertório cultural de uma pessoa, pode-se fazer correlações das mais diversas que será constituída a associação do signo ao objeto. Como por exemplo: uma publicidade de cigarro que contenha ao lado a foto de uma pessoa doente. O fumante poderá entender que o cigarro causa doença nas pessoas que o consomem.

2.2.3 A Terceira Tricotomia

A terceira tricotomia do signo diz respeito ao intérprete. Signo tem total relação com objeto, assim como objeto está interpretante para um intérprete. Peirce descore muito bem isso em sua última tricotomia. Signo pode ter denominado como Rema, Dicissigno ou Dicente (isto é, uma proposição ou quase proposição) ou Argumento. E define:

Podemos dizer que um Rema é um Signo que é entendido como representando seu objeto apenas em seus caracteres; que um Dicissigno é um signo que é entendido como representando seu objeto com respeito a existência real; e que um Argumento é um Signo que é entendido como representando seu Objeto em seu caráter de Signo.

Um Rema (signo singular), define Peirce: “(...) é entendido como representando esta e aquela espécie de Objeto possível. Todo Rema propiciará, talvez uma informação, mas não é interpretado nesse sentido.” Podemos clarear esta teoria como na frase: “As estrelas são brilhantes”, no predicado – são brilhantes – podemos encontrar o rema, pois trata-se de uma interpretação que o intérprete faz de uma qualidade singular do signo, ainda que nem toda estrela seja brilhante, mas todas são conhecidas como tal.

Um Signo Dicente, Peirce afirma: “é um Signo que, para seu interpretante, é um Signo de existência real”. Podemos defini-lo como a representação crítica do interprete ao interpretar um signo. Uma análise de um quadro, por exemplo.

Um Argumento, ainda segundo Peirce: “Argumento é um signo que, para seu interpretante é signo de lei”. Um argumento é um juízo verdadeiro que o interpretante faz do signo. Para exemplificar temos as “máximas populares” que formam juízos de valor.








2.3 Signo segundo Mikhail Bakhtin

Para Bakhtin signo é um objeto físico cheio de significações ideológicas. O signo precisa estar contextualizado para ganhar tais significações. Sendo assim, o signo é uma parte material da realidade, como afirma o autor:

Cada signo ideológico é não apenas um reflexo, uma sombra da realidade, mas também um fragmento material dessa realidade. Todo fenômeno que funciona como signo ideológico tem uma encarnação material, seja como som, como massa física, como cor, como movimento do corpo ou como outra coisa qualquer.

Tudo que é ideológico é um signo, pois possui um significado. Um exemplo de Adilson Citelli é o significado simples de um objeto como o martelo: auxiliar na afixação de pregos, ou em atividades congêneres. Assim é a foice um instrumento muito utilizado para a ceifa e outros serviços do campo. Entretanto os mesmo instrumentos podem ser vistos de maneira contextualizada produzindo idéias fora deles mesmos, refletindo ou refratando a realidade, assim os chamaremos de signos. Citelli explica que assim como a foice o martelo tem um significado muito grande no desenho da bandeira da URSS, transmitindo a idéia de aliança de trabalhadores urbanos com os do campo dentro do Estado Soviético, permitindo assim lermos o discurso da bandeira que pronunciava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Assim poderíamos analisar que o objeto foice e o objeto martelo deixar de significar apenas como instrumentos de trabalho como pré-determinamos e passam a ganhar uma nova dimensão de significado e agora possuem valores, preceitos, idéias, algo relacionado aos princípios de ideologia.

A este exemplo, conforme a teoria de signo de Bakhtin, pode-se definir que o signo surgi de um certo contexto e se desenvolve dentro da sociedade, agregado a culturas e histórias. E o signo deve ser pensado socialmente e contextualmente criando uma inerente relação entre o universo significativo dos signos e a formação da consciência dos sujeitos.












2.4 Signo segundo Pierre Guiraud

Para Pierre Guiraud signo é uma substância sensível, um estímulo cuja imagem mental está associada na nossa consciência à de um outro estímulo que o signo tem que chamar a si com vista a uma comunicação.

Existe uma ação sobre o indivíduo que promove uma imagem memorial de um outro estímulo. Adilson Citelli exemplifica: “A palavra mesa (o conjunto sonoro, o significante) nos remete a uma dada imagem mental (o objeto mesa, o significado) que, por seu turno, se completa numa significação (nascido da relação entre o significante e o significado). (...). Enquanto aquela é produto de relação entre o significante e o significado (a seqüência gráfica, ou sonora, mesa remete ao sentido mesa), este surge da contigüidade entre o signo e o referente (a palavra, signo propriamente dito, mesa remete às mesas reais)”.

Guiraud afirma em sua obra que o signo é formado por significado e significante:

Há, portanto uma associação psíquica bipolar que compreende dois termos: a forma significante e conceito significado; e duas fases: a evocação do nome pela coisa e da coisa pelo nome; o processo é recíproco.

O autor também exemplifica dizendo que quando olhamos para a nuvem logo lembramos da imagem da chuva, sendo assim, conclui-se que a palavra evoca a imagem da coisa.

Os signos podem ser naturais ou não-naturais. Os naturais possuem uma relação direta com a natureza e seus fenômenos. Os signos não-naturais são as coisas criadas pelo homem ou por outros seres que não sejam a própria natureza, podemos chamar este tipo de signo de artificial.

E por fim, o autor dividi o signo em quatro categorias essenciais: os signos naturais estudados pela ciência; os signos de representação ou imagem; os signos de comunicação ou símbolos; e os signos de comunicação icônico-simbólicos (moda, misticismo etc.).

















Capítulo 3 - Breve histórico da Linguagem Musical

Para a elucidação deste breve histórico usarei o estudo sobre a música de Nilza Zimmermann.

No princípio, quando o Planeta Terra ainda se formava, quando os únicos seres vivos que habitavam este mundo eram as bactérias, Deus criava as cachoeiras, as ondas, a ventania, dos campos gramíneos as avalanches das grandes montanhas cobertas de neve. Neste tempo, mesmo com as chegadas dos pequenos bichos, só havia som, pois a música seria um dom exclusivo humano.

A chegada do homem pré-histórico, as artes de pintar, esculpir, desenhar e fazer barulho com intuito da emissão de algum som, já afloravam com o objetivo, segundo alguns historiadores, em devoção aos deuses. A música acredita-se que surgiu por meio do canto e da dança.

Claro que este homem expressava sua música e suas outras artes com gritos, movimentos desordenados e outras formas que se aprimoravam com o tempo. Incentivados pelos seus cultos religiosos com a necessidade de se utilizar dessas linguagens para a comunicação com Deus ou com seus mortos. A música era considerada sagrada.

Encontram-se vestígios da arte musical a partir dos escritos gravados em pedras lascadas, paredes de cavernas e até achados de instrumentos pré-históricos, como um harpista gravado em baixo-relevo a 2000 anos a.C.

Entretanto pode-se citar as grandes civilizações antigas que utilizavam a arte musical e aprimoraram esta linguagem.

Os antigos egípcios destacavam a música como importantíssima para seu Estado, tinham seus músicos que ocupavam lugar de grande consideração pelo Faraó, inclusive as mulheres. Possuíam suas sete notas musicais semelhantes as que conhecemos hoje. Tocavam instrumentos de corda, sopro e percussão, como harpa, a flauta e os címbalos.

Os povos orientais árabes cultivavam a e propagaram a arte musical. Assim como nos egípcios Faraós, a musica tinha grande papel de destaque com os califas, pois cantam seu livro sagrado o Corão até hoje. Possuíam seus ritmos referenciados dos passos do camelo e dos cavalos além de 17 notas musicais cantados e tocados primeiramente por beduínos embalados pelos passos dos camelos. Seus escravos e mulheres eram os executores da música e tocam desde a harpa ao adufe (percussão).

Para os indianos, a música ia além dos cultos religiosos, acreditavam que era parte integrante na formação do universo. Estavam bem desenvolvidos na arte musical em relação aos outros povos antigos, os indianos já possuíam intervalos musicais e a escala de som parecida com a que temos hoje. Cultuavam a deusa ASVARAGRAMA e a atribuíram as 7 notas musicais reverenciando as 7 ninfas que acompanhavam a deusa: AS, RI, GA, MA, PA, DA e MI. Tocavam do ravanastron (instrumento de arco) aos címbalos.

Dos chineses proveio a escala musical Pentatônica: Ré, Mi, Sol, Lá e Si. Seus compositores eram os grandes imperadores e tinham até interesses de manipulação do povo através desta linguagem. Tocavam o king (instrumento de percussão) e o Tcheng (órgão).

Para estudar as musicas dos hebreus é preciso analisar os Salmos da Bíblia. Tocavam shofar, saltério, harpa, keren e pratos.

O povo romano pouco desenvolveu para as artes musicais, teve seu foco voltado para o preparo dos homens a guerra as grandes conquistas. Encontrou-se com a música quando teve contato com o povo grego, os quais lhe ensinaram a tocar e a cantar.

Quem mais contribuiu para a evolução da música até chegarmos a que conhecemos hoje foi o povo grego. Para este povo as artes eram ministradas a jovens, dedicavam a elas com amor e cultivo. Criaram a palavra música ao dedicar a arte às Musas: “Arte das Musas”. Suas músicas eram monódicas (uma voz) e eram escritas com as letras do alfabeto. Inventaram os modos nomeados conforme as regiões gregas, destacadas na obra de Nilza Zimmermana, são eles:


Modo Dórico (MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-RÉ-MI) – Platão considerava o modo dórico solene e grandioso, por despertar a virtude e a coragem.
Modo Frígio (RÉ-MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-DÓ-RÉ) – Este modo, materialista e sensual, favorecia a impetuosidade e a orgia.
Modo Lídio (DÓ-RÉ-MI-FÁ-SOL-LÁ-SI-DÓ) – Afável, doce e sensual, o modo lídio era usado nos cantos juvenis. Favorecia a educação, despertando o gosto pelo belo e pelo puro.


Os gregos fundiam a música à poesia dando a pausas e duração de tempos conforme as sílabas e desenvolveram os dois valores: Longa (-) e Breve (U). Que formavam compassos a uma composição musical. Tocavam a lira, a cítara, flauta de pã e aulo e o hélis.

Contudo, apenas na Idade Média que se define que os instrumentos musicais serviam para apenas acompanhar o canto, e também surgiu a música instrumental. E até nesta época a música era dominada por religiosos assim como outras artes.













Capítulo 4 - Características da Linguagem clássica musical

Foi na idade Média que por meio do Cristianismo desenvolveram-se dois tipos de escrita musical: a Notação Alfabética e a Notação Neumática.

Na idade média apenas aprimoraram a notação alfabética transportando-a para a letras latinas, pois já era usada por outras civilizações em outras épocas. Temos:





Na primeira linha do esquema tem-se a notação musical proveniente dos anglo-saxônicos que é usada até hoje em Cifras para acompanhamento com violão popular ou teclado, e na segunda linha têm-se os nomes das sete notas musicais latinas.

A Notação Neumática é aquela que é representada por sinais especiais. Define como movimentos de som. Mais tarde foi melhorado e criado a pauta musical com a precisão e a altura dos sons.

Antigamente, nos manuscritos já existia a pauta de duas linhas, o monge Guido D’Arezzo (990) acrescentou mais duas e foi no século XVI que se criou a pauta de 5 linhas (Pentagrama). E é através deste monge, pai da escrita musical, juntamente com o músico italiano Doni que temos a escala diatônica: Do – Ré – Mi - Fá - Sol - Lá – Si. Criada no sentido de padronizar a estruturação física da música e evitar a desafinação dos instrumentos.

O pentagrama, nada mais é que um conjunto paralelo de cinco linhas, lugar onde serão escritas as notas musicais e serão lidas pelo intérprete da esquerda para direita. E com essa leitura desencadeará uma seqüência de notas grafadas linearmente surgindo, assim, a melodia.

A combinação de sons, de timbres, e de notas dentro de uma pauta musical resulta na harmonia.

A música nesta época deixa de ser monódica e passa a ser polifônica (várias vozes). Começou-se a dividir as vozes em diversas notas dentro de um acorde (três ou mais notas tocadas simultaneamente).

O termo música clássica vem do período em que os artistas musicais buscavam uma forma nova de compor suas obras, uma maneira mais rebuscada que buscava a perfeita simetria das formas musicais. Era uma época que marcou o novo jeito de se fazer música, algo fora da religiosidade e totalmente abstrato. Buscavam o prazer que a música proporciona.

Marcado pela independência musical, é neste tempo que aparecem as sonatas, as sinfonias e os concertos, os quais eram divididos pelos ritmos allegro, adágio, dança e finale. As sonatas eram feitas para solos de instrumentos musicais podendo ser executadas por mais de um instrumento. A sinfonia era composta com o intuito de se ouvir mais a harmonia da orquestra e não só a melodia de um instrumento. E o concerto era composto pela melodia de um instrumento acompanhado pela harmonia da orquestra. E mais tarde surgiram outras formas instrumentais.

As teorias musicais subdividiam a música em diversos aspectos que pode-se conceituar:

A altura dos sons, ou freqüência: terminologia usada para distinguir os sons agudos dos sons graves. Isso é, pode ser demonstrado ao tocar a última nota da direita do piano (agudo) ou tocar a primeira nota do piano à esquerda (grave). Isso é visto no pentagrama:





Vê-se as notações gráficas quando no sentido as linhas superiores pode-se fazer uma analogia às teclas do piano em direção à última tecla da direita, temos o agudo. Em contrapartida, as notações gráficas quando no sentido as linhas inferiores temos o som cada vez mais grave.

Quanto à clave, existem três tipos deste sinal, o que indica a posição da nota e o grau de sua elevação: a clave de Sol e a clave de Fá, como a figura acima, e a clave de Dó. Cada instrumento possui uma propriedade de timbre que o determinará a tocar sempre sob um tipo de clave, ex: o saxofone – toca-se sob a clave de Sol. Para tocar em outra clave, terá que fazer uma transposição . A figura abaixo mostra as diferentes claves e os timbres correlacionados a elas:




O compasso é um quadrante ou parte de um pentagrama que separa, por meio de travessões, um trecho musical. Pode-se encontrar numa obra musical os compassos binários, ternários ou quaternários. Na figura abaixo temos o compasso quaternário, ou seja, quatro por quatro.



Cada nota tem seu valor dentro de uma composição musical. Regida pela clave que determina o tempo da duração do som. A nota é desenhada conforme seu valor, o qual também possui tempos de pausa (ou silêncio) relacionada ao valor temporal da nota a ser substituída dentro de um compasso.

A figura abaixo mostra melhor a as pausas e as durações das notas através da figura:



Essas disposições gráficas acima são nomeadas na respectiva ordem como semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa.

As notas devem ser regidas pela tonalidade da clave e pelo tempo do compasso pré-determinado no começo da partitura. E podem, além disso, vir acompanhadas por elemento que “foge” da regra determinada pela tonalidade, podemos chamá-los de acidentes, por possuírem uma especial característica dentro da harmonia ou melodia, são caracterizados como: notas acompanhadas por sustenidos (elevam a tonalidade da nota em ½ tom) e bemóis (diminuem a tonalidade da nota em ½ tom), bequadros (cancelam o sustenido e/ou bemol da nota em específico dentro do mesmo compasso, aparece posteriormente á nota sustenizada ou bemonizada), ou dobrado sustenido ou dobrado bemol (potencializam o grau de elevação ou diminuição da nota). Como na figura:




Neste caso temos o símbolo # (sustenido), o b (bemol) e logo após, dentro do mesmo compasso, temos o bequadro cancelando o bemol, no outro compasso tem-se o dobrado bemol e o dobrado sustenido.

A partitura musical possui elementos especiais que delimitam o jeito de se tocar umas frases musicais, chamados de dinâmicas musicais que regulam a intensidade das notas, como por exemplo: o símbolo pp (pianíssimo), significa executar a frase com intensidade muito baixa, mais baixa que o piano; e no caso do símbolo ff (fortíssimo), significa tocar com a intensidade muito forte. E existem outros diversos símbolos que regulam a variação de intensidade de uma frase musical.















Capítulo 5 - O "signo" bakhtiniano na Linguagem Musical moderna

Para projetar a teoria semiótica de signos de Bakhtin sobre a linguagem musical moderna é necessário entender mais sobre o que é ideologia. Dentre as diversas definições que temos de diversos autores consagrados citarei um significado extraído de um dicionário on-line , o qual retrata uma reflexão simples:

do Grego: idéa + lógos, tratado
s. f.,
Ciência que trata da formação das idéias e da sua origem;
Conjunto de idéias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de uma classe, e que são produto de uma situação histórica e das aspirações dos grupos que as apresentam como imperativos da razão;
Sistema organizado e fechado de idéias que serve de base a uma luta política.



Como se pode ver, ideologia é um conjunto de todo repertório que o indivíduo pode carregar dentro da sociedade, desde a formação de sua consciência, seu processo de amadurecimento até suas idéias tornarem dominantes sobre um determinado grupo, criando assim uma forma de se pensar. Pode-se, então, reduzir a ideologia à palavra consciência.

É deste modo de pensar e agir, que não se forma pela experiência no sentido de acreditar que essa é a única forma de conhecimento (Empirismo), e nem se forma como dado racional (Racionalismo), que se estabelece o movimento incessante por meio do qual os homens fixam e institucionalizam modos de viver.

E, é neste processo que o indivíduo produz idéias e representações para esclarecer e compreender sua vida.

Entretanto ao analisarmos a palavra idéia, dentro do mesmo molde de raciocínio, segundo o mesmo dicionário, idéia é:

Do Latim idea < Grego idéa
s. f.,
Representação mental;
Representação abstrata e geral de um objeto ou relação;
Conceito;
Juízo;
Noção;
Imagem;
Opinião;
Maneira de ver;
Visão;
Visão aproximada;
Plano;
Projeto;
Intenção;
Invenção;
Expediente;
Lembrança.

- fixa: idéia dominante, obsessão.

Conforme a palavra ideologia, podem-se ser extraídos desta definição os significados das palavras: maneira de viver, o projeto e até a idéia dominante. Entretanto fixemos agora na definição que nos levará as caracterizações semióticas sobre a linguagem musical.

Idéia é uma imagem mental, claro que quando enxergamos um objeto ou uma ação, que podemos classificar como representações significativas. O cérebro se encarrega de tornar possível uma reflexão, ainda que rápida, do simples signo analisado e buscar como se fosse um banco de dados natural, o verdadeiro significado do signo.

Bakhtin defende a idéia que o signo é uma parte material da realidade, ou seja, signo representa a realidade. Sendo assim, se analisarmos uma letra musical oficializada no início do movimento modernista, como o Hino Nacional Brasileiro, teremos n elementos contextuais, várias referências patrióticas ao nosso povo, ao que possuímos, ao que possuíamos na descoberta do país, ao que podemos conseguir com “braço forte”, á bandeira etc. A Letra de Joaquim Osório Duque Estrada usa uma linguagem persuasiva que faz invocar o amor pátria, de tal maneira a defendê-la com a própria morte se for necessário.

Sendo assim, quando um indivíduo dotado de um grande repertório histórico, detentor da obrigação de exercer o patriotismo, como por exemplo, o Soldado do Exército, quando apenas ouvir ou tocar a música de Francisco Manuel da Silva sentirá o peso da responsabilidade de defender este País a qualquer custo, pois cada nota a ser tocada, trecho de um compasso, terá, além desses signos materiais, os signos ideológicos, ou seja, a formação de uma consciência ideológica.

E por fim, Bakhtin nos relata que signo deve ser pensado socialmente e dentro de um contexto, e existe uma grande relação entre a formação da consciência humana e todo universo de signos, assim podemos acreditar que a linguagem musical moderna busca, não apenas invocar os deuses como na antiguidade, ou buscar a perfeição da métrica como no Classicismo, mas estar repleta de elementos ideológicos carregados pela sociedade e ter um grande poder sobre um determinado grupo dentro dela mesma.
























Capítulo 6 - O "signo" de Guiraud aplicado à Linguagem Musical

Para Guiraud o signo produz uma imagem na mente humana, a qual, por sua vez, retrata uma figura trazendo ao indivíduo o significado real que o signo representa para ele, concluindo numa comunicação entre o signo e o indivíduo.

Essa reação pode ser provocada por um conjunto sonoro, gráfico ou até mesmo mental. É evidente salientar que o indivíduo pode criar seu próprio estímulo psíquico, gerando uma imagem mental associada ao seu signo criado, e determinar seu próprio significado, como é o caso de um desenho abstrato produzido por uma criança. Só a ela este signo terá uma denotação concreta, fundamentada em algum outro estímulo que a fez reproduzir sua própria realidade.

Ao observar um indivíduo executar uma música, tocando um instrumento musical e lendo uma partitura, não podemos perceber a representação mental que a música lhe traz. É como se existisse uma força que movesse este indivíduo a seguir um tipo de ordem de comando e fazer com que o mesmo enxergue a notação musical e repasse ao instrumento, após mentalizar muito rapidamente os signos musicais, a música grafada numa linguagem não-verbal.

O indivíduo vê, na verdade, como as notas musicais serão aplicadas em seu instrumento, no caso da flauta doce, ele imagina quais orifícios da flauta serão apertados para representar tal nota escrita.

A flauta é classificada como instrumento musical de sopro, com um tubo cilíndrico aberto, o som é produzido pela passagem do ar por uma aresta. Abaixo, tem um desenho de uma flauta doce convencional:



O indivíduo, ao ler uma notação musical, vê:




E esta é a representação psíquica que o indivíduo tem ao ler uma partitura musical executando um instrumento de sopro com a flauta doce:




Cada ponto preto representa um furo lateral ou frontal pressionado com o dedo a fim de reproduzir a nota desejada.

É claro que o indivíduo cria outras imagens mentais, mas isso dependerá de sua condição sentimental, o que a música executada lhe traz a memória, o que o instrumento musical lhe representa, o que a música lhe faz sentir e até sua condição física. Um instrumento como a flauta produz um som melodioso e confortante e geralmente uma imagem de paz apresentaria na mente do indivíduo.





















Considerações

Diante do trabalhado elaborado, pode-se entender que música é considerada uma linguagem, pois ela contém um sistema de valores que a sociedade impõe direta ou indiretamente a fim de atingir a própria sociedade.

Por meio da música transmiti-se uma visão de mundo, um retrato da realidade e conceitos alusivos a estereótipos sociais. A linguagem musical faz com que as pessoas se relacionem, comunicando entre si através dela. Ela forma consciências enchendo-as de conteúdos ideológicos, passando e repassando uma carga cultural diversificada.

Esta linguagem formal e não-verbal pode ser encontrada cheia de explícitos e implícitos, e também pode ser considerada linguagem de nacionalidade, pois também pode representar tradições culturais, hábitos lingüísticos de uma nação etc.

Entretanto, a linguagem musical possui signos notacionais como o pentagrama, as claves de compasso, as figuras de notas, as dinâmicas etc. A música se forma a partir da leitura dos signos musicais, graficamente falando, e seu interpretante pode desenvolvê-la linearmente dentro de uma composição.

Pelos motivos acima apresentados, podemos dizer que cada notação musical é um signo, o qual, remete a mente humana uma figura ou imagem dele, exercendo um certo poder sobre seu leitor, fazendo com que o interprete seja convencido por uma gama de ideologia trazida das letras musicais e persuadido pelas mensagens implícitas e explícitas da sutileza musical.





























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