Fazendo
um evangelho para os dias de hoje, acredito que o papel da igreja é a
preservação da vida. A igreja não é capaz de transformar pessoas, assim elas o
fazem mutuamente ou individualmente. Sua incumbência engloba a missão do
evangelho - prática do perdão e solidariedade com os pobres. Não podemos deixar
de mencionar que os ricos também precisam ser alcançados pela graça divina.
Levar
a graça de Deus ao necessitado é uma linda demonstração do amor.
Ao
analisar a conversão de Paulo é possível perceber que seu ministério foi
iniciado, conduzido e realizado com auxílio de pessoas que influenciaram ou
fizeram parte de sua vida. Neste sentido, pode-se caracterizar que a igreja
possui também um senso de humanidade quando se preocupa com o próximo,
acolhendo-o. Senso de gratidão e senso de responsabilidade ao manter a vida e
multiplicá-la.
Na
missão como libertação, David Bosch
(Missão Transformadora – Mudanças de Paradigmas na Teologia da Missão) afirma
que a libertação deve acontecer em três níveis diferentes: libertação de
opressão e marginalização; libertação de qualquer espécie de escravidão pessoal
e libertação do pecado. A teologia de libertação tem uma forte
preocupação social e rejeita interpretar a fé do cristão em categorias
metarrenais e rejeita o individualismo excessivo.
Esta
busca incessante pela realização humana – digo humanidade – deve ser o objetivo
central da igreja.
A
vida deve ser conduzida de forma livre.
Buscar
a humanização das pessoas, o espírito fraternal e solidariedade devem partir da
igreja. Pois a ela foi revelado a palavra da vida, e ela deve fazer a teologia
na sociedade onde está inserida.
“Não
é suficiente dizer aos cidadãos – sede bons: é preciso ensiná-los a ser.”
(Rousseau – Da Econ. Pol. P. 296)
A
igreja deve deixar de lado a ideia que foi separada quando santificada pela
graça. Pois isto contraria os preceitos fundamentais do cristianismo. Não há
possibilidade de exercer o evangelho longe das pessoas, da realidade do mundo
em que vivemos. Devemos aceitar a transformação de Deus para nos tornar mais
humanos e inclusivos.
"Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas,
resgatadas e redimidas: jamais jogue alguém fora." Audrey Hepburn, por
Fabiana A. Cassarotti.
A
igreja deve o tempo todo contextualizar-se e reinterpretar a palavra bíblica
para a atualidade, senão viveremos numa sociedade atrasada e precária no
entendimento da verdade.
Ser
igreja é uma tarefa de amor e ao mesmo tempo desafiadora.